Monólogo de Ederson Miranda escancara 500 anos de Brasil

Peça tenta contar história do país por meio de personagens secundários e caricaturais

iG Minas Gerais |

Ator encara pela segunda vez o desafio de estar sozinho em cena
marcelo carrusca/divulgação
Ator encara pela segunda vez o desafio de estar sozinho em cena

O desafio não parece simples: contar a história do Brasil, desde 1500 até hoje, em pouco mais de uma hora de espetáculo. Por meio do humor” foi a escolha de Ederson Miranda para criar o solo “A Hora do Brasil – Uma Chanchada”, que estreia hoje, no Teatro Alterosa.

“Eu escolhi esses tipos típicos da chanchada (o gay, o sujeito do interior, o bêbado) para contar essa história. Além disso, eu peguei esse ideia da ‘Hora do Brasil’ porque é algo que todo brasileiro conhece ”, comenta Miranda.

Organizados em uma espécie de “show de humor”, sete personagens são responsáveis por contar a história “não publicada” do Brasil. “Minha ideia é contar a história popular do Brasil, a partir de personagens secundários, sem recorrer às narrativas histórica europeias, colonizadoras que sempre ouvimos”, revela o ator.

Assim, o show começa com um humorista de “Stand Up Comedy”, que – segundo Miranda – representa o presente e chama os demais personagens. Dentre eles: o Portuga, que veio na caravela de Pedro Álvares Cabral, O Cacique Tora Grande, O Padre Jesuíta, O Caipira, O Escravo e, por fim, uma Feminista que conta a história até os anos 1980. “Faltava uma mulher, né? Os personagens subvertem a história. Por exemplo, o Cacique Tora Grande inverte a lógica de que os portugueses vinham transar com as índias. O Tora Grande é o maior comedor de portuguesa”, se diverte o ator.

Estar em cena desacompanhado não é novidade para o ator. Seu trabalho de conclusão de curso, em teatro, na UFMG, era outro monólogo que teve vida longa.

Comparando “A Hora do Brasil” com o antecessor, “Deuses”, ele acredita que haja um diferença na linguagem. “Segue a pegada histórica, mas a pegada estética mudou. No primeiro, eu explorava a minha potência narrativa. Era o narrador que fazia todos os personagens. Esse jogo ficava claro para o público. Já nesse, eu interpreto essas personagens, cada um à sua maneira. Eles são evocados. Por exemplo, o Portuga chega ao Cacique, que chega ao jesuíta. E assim sucessivamente”, finaliza ele. (G.R.)

 

Agenda

O quê. “A Hora do Brasil – Uma Chanchada Nacional”

Quando. De hoje até 24 de Agosto. Quinta a sábado às 21h e domingo às 19h.

Onde. Teatro Alterosa (avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta)

Quanto. R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)

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