20 razões para chorar

iG Minas Gerais |

Ilustração Hélvio Avelar
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Não é novidade pra ninguém que não sou de segurar o choro. Lembro que assistia àqueles quadros de reencontro no “Domingo Legal”, do Gugu, ou do momento de ganhar uma casa reformada no “Lar Doce Lar”, do Luciano Huck, só pra me emocionar um pouco. E era um chororô danado, assim como acontece com qualquer filme dramático. É começar o sofrimento da mocinha pra manteiga aqui derreter. E não tenho vergonha de dizer isso, não. O ditado diz que homem não chora, mas antes ser taxado como uma exceção à regra do que ser nomeado como o iceberg, frio e insensível. Taí a palavra: sensibilidade. Não me comparem aos jogadores da seleção brasileira de 2014, que se debulharam em lágrimas copiosas quando sofreram uma grande pressão. Resolvo meus problemas, os mais difíceis que sejam, sem deixar cair uma gota. Mas sou sensível o suficiente para me tocar com a cena triste de uma senhorinha franzina pedindo esmola no sinal ou de arrepiar ao me lembrar de Ayrton Senna vencendo uma corrida ao som daquele “pampampaaaam” inesquecível. É claro que, se me derem bebida alcoólica, aí a torneira esguicha com mais força. Às vezes, se preciso tomar coragem – por exemplo, para fazer uma declaração –, invisto no drinque, e o tiro sai pela culatra. Em vez de me declarar, começo a chorar, o que acaba ficando bonitinho. Vai entender o ser humano, suas carências, suas vontades, seus amores, seus pecados...

Falando de cinema agora: tem gente que não gosta de chorar vendo filme de jeito nenhum. Prefere saber a sinopse antes, pesquisa com o outro se vai ter final feliz, diz que já tem sofrimento demais por aí na vida real... Minhas irmãs são assim, gostam mesmo do romance e do felizes para sempre. Eu já sou o contrário: procuro o embate, o melancólico, o insensato, o delicado, o poético, o sofrido. Há duas semanas, falei aqui sobre “A Culpa É das Estrelas” e como me emocionei com o filme. É o tipo de filme pra sentar na poltrona do cinema, abraçar o pote de pipoca e torcer o guardanapo de tão molhado que ele vai ficar. E pra você que, assim como eu, busca a emoção e o dramalhão, tenho algo para lhe mostrar, algo de que vai gostar. Para quem não é nada parecido comigo e quer testar esse coração duro e essa alma desafiadora, é hora de tirar o lenço do bolso, porque fiz uma lista com os 20 filmes mais tristes do cinema. É ver pra crer, assistir pra sentir, se preparar para se desidratar de tanto chorar.

Eu começaria pelos desenhos: “O Rei Leão” (1994) e “Up! – Altas Aventuras” (2009) vão te deixar com carinha de bobo. Ainda nessa leveza juvenil, “E.T.” (1982), “O Garoto” (1921) e “Marley e Eu” (2008) são os mais indicados, mas não os menos molhados. Quer chorar? Viaje aos tempos de Hitler. Inicie com “A Menina que Roubava Livros” (2013), passe por “A Vida É Bela” (1997) e termine com “O Menino do Pijama Listrado” (2008). Mexer com a perda de movimentos também te faz refletir – e sentir. “O Escafandro e a Borboleta” (2007), “Mar Adentro” (2004) e “Intocáveis” (2011) são certeiros e derradeiros. E claro... O amor, de fato, sempre emociona – pelo filho: “À Procura da Felicidade” (2006); pela filha: “Uma Prova de Amor” (2009); pelo pai: “O Campeão” (1979); pelo cachorro: “Sempre ao Seu Lado” (2009); pelos idosos: “Amor” (2012); pelos mais novos: “Meu Primeiro Amor” (1991); ou simplesmente, apenas, incisivamente, pelo amor: “Cidade dos Anjos” (1998), “P.S. Eu Te Amo” (2008) e “Um Amor para Recordar” (2002). Ufa, é muita lágrima pra derramar!

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