Carrasco dos brasileiros, San Lorenzo é campeão movido pela fé

El Ciclón deixou pelo caminho três clubes do Brasil (Botafogo, Grêmio e Cruzeiro) para conquistar a Libertadores

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI |

A apaixonada torcida do Ciclón finalmente pode fazer a festa com o sonhado título. A hora chegou e os Cuervos são os donos da América. A piada dos rivais com as iniciais do clube também acabou junto com a espera que parecia ser interminável. Agora, o Club Atlético San Lorenzo de Almagro não é mais o Club Argentino Sin Libertadores da América (Clube argentino sem Libertadores da América), brincadeira dos rivais em alusão ao fato de o time ser o único entre os cinco grandes da Argentina (Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing e o próprio San Lorenzo) que nunca tinha conquistado o principal torneio do continente. A piada, no entanto, é coisa do passado. O clube do bairro de Boedo, em Buenos Aires, conquistou a maior glória de sua história e a fanática torcida pode, enfim, celebrar.

Muito da conquista se deve ao técnico Edgardo Bauza, que organizou com maestria a esquadra do Ciclón - e faturou sua segunda Libertadores, pois já tinha conquistado o título em 2008, com a LDU - e aos destaques do time: Romagnoli, camisa 10 e ídolo máximo dos Cuervos; Pichi, volante bom de bola, que marca forte sem perder o bom passe e inteligência tática, além de chegar bem ao ataque; Piatti; Ángel Correa, que não jogou a reta final por ter problemas cardíacos, mesmo sendo apenas um garoto talentoso de 19 anos; Villalba, outro garoto de muito talento; e Buffarini, lateral-direito de muita velocidade e incisividade. No entanto, a fanática hinchada do San Lorenzo também tem uma participação intensa e até óbvia no título inédito, assim como a fé, sempre presente na história do clube.

Para conquistar a glória máxima de sua história, o Ciclón precisou se tornar o carrasco dos brasileiros e também precisou da ajuda dos céus. Com a corda no pescoço na última rodada da fase de grupos, o time venceu o Botafogo no Nuevo Gasómetro por 3 a 0 e garantiu a vaga na fase final, para depois eliminar os também tupiniquins Grêmio e Cruzeiro, além dos bolivianos do Bolivar. As vitórias e goleadas históricas, como aquele fantástico 5 a 0 sobre o Bolivar no jogo de ida das semifinais, ficaram marcadas pelas boas atuações, a ansiedade da torcida, torcendo pelo fim da espera, e também pelos comentários sobre a fé do Papa Francisco, torcedor que é um dos símbolos do clube.

No entanto, a fé acompanha o San Lorenzo muito antes de Francisco. No museu do clube, além da estátua do Papa, existem várias imagens da Virgem Maria e, é claro, do Padre responsável pela existência do Ciclón. A relação do clube com a fé existe desde antes de sua fundação, em 1908. No começo dos anos 1900, um grupo de garotos sempre jogava futebol pelas ruas de Boedo, até que um dia, um deles quase morreu atropelado. Preocupado com as crianças, o Padre Lorenzo Massa, responsável pela igreja do bairro, abriu as portas do templo para os garotos jogarem bola dentro da igreja. A condição, claro, era que após jogar bola, os meninos ajudassem a arrumar o templo e ficassem para rezar a missa junto com o Padre. Poucos anos depois, esses mesmos garotos fundaram o Club Atlético San Lorenzo de Almagro, homenageando o Padre Lorenzo Massa. O Ciclón existe por conta da fé, fé que foi fundamental para o clube realizar seu grande sonho e que simboliza aquele que, hoje, é o mais famoso torcedor dos Cuervos.

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