Eu iria votar nele, diz Alceu Valença sobre Campos

Jornalista e biógrafo de Getúlio Vargas, Lira Neto, contou que ficou "profundamente consternado" ao saber da morte

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Eu iria votar nele, diz Alceu Valença sobre Campos
Reprodução/Youtube
Eu iria votar nele, diz Alceu Valença sobre Campos

Artistas e intelectuais brasileiros fizeram homenagens e lamentaram a morte do candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) em um acidente aéreo nesta quarta-feira (13).

O músico pernambucano Alceu Valença afirmou que Campos "tratou a cultura em Pernambuco de forma inigualável". "Durante o Carnaval havia 110 eventos para o público. Ele deixa um legado em Pernambuco e um exemplo a ser seguido no Brasil", disse, à reportagem.

O jornalista e biógrafo de Getúlio Vargas, Lira Neto, contou que ficou "profundamente consternado" ao saber da morte. "Em um país que, infelizmente, tem grandes dificuldades de produzir novas lideranças políticas, a perda precoce e tão inesperada de Eduardo Campos é, sem dúvida, lamentável. O mês de agosto continua sendo traiçoeiro para a história brasileira", afirmou.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em dezembro de 2013, o escritor pernambucano Ariano Suassuna (1927-2014) falou sobre seu apoio a Campos, a quem conhecia desde a infância.

"Considero Eduardo Campos o político mais brilhante que já conheci. Ele é de uma capacidade de articulação que você não pode imaginar. Outra coisa: é paciente, é obstinado. Ele tem todas as qualidades de um político. Eu digo sempre: um político tem que ser astucioso, principalmente se ele for boa pessoa. Porque senão ele cai -não faz safadeza, mas cai na mão dos que fazem", contou Suassuna.

A morte de Campos também foi sentida entre políticos e empresários brasileiros, que lamentaram a morte do presidenciável.

Repercussão

"Uma merda, né, velho? Uma coisa horrorosa. Ele era próximo familiarmente: a minha cunhada é tia dele. Sempre que nos encontrávamos, tínhamos papos inteligentes. Ele era muito sensível e bem-humorado. Quando me via, já pedia para eu contar algum causo e daí ele me devolvia outro.

Ele tratou a cultura em Pernambuco de forma inigualável: durante o Carnaval havia 110 eventos para o público. Ele deixa um legado em Pernambuco e um exemplo a ser seguido no Brasil. Eu iria votar nele e até escrevi um manifesto de apoio". ALCEU VALENÇA, músico pernambucano, à reportagem.

"Me sinto rasgado por dentro. Foram duas mortes muito próximas de pessoas que eram muito queridas e importantes, Eduardo Campos e Ariano Suassuna. Meu pai, assim como o avô do Eduardo, era sertanejo. No governo de Doutor Arraes - assim chamávamos ele– meu pai, médico, era diretor do departamento de saúde de Recife. Quando eu tinha por volta de 18 anos e Campos oito ou nove anos, fui seu professor de educação musical. A gente perde um político que estava num momento ascensional, com muitas possibilidades, que com essa idade conquistou muitas vitórias no campo político e que tinha um pensamento político que diminuía essa dicotomia na qual estamos presos. Uma pessoa que tinha um sonho de Brasil, assim como Ariano tinha sonho de Brasil. Dois grandes sonhadores do país foram embora em muito pouco tempo. É uma situação muito dolorosa pra Recife. Pro país todo, mas principalmente pra Recife. É uma dor muito latejante dentro de mim." ANTONIO NÓBREGA, ator, dançarino e cantor pernambucano, à reportagem.

"O Brasil perde um grande político: jovem, dinâmico e competente. Eduardo Campos deixa uma lacuna nesta nova geração e o povo brasileiro sentirá falta de sua contribuição para um país melhor. Meu grande abraço a Renata e a toda família Campos." MARTA SUPLICY, ministra da Cultura, em nota.

"Meu amigo, que a todo momento estava sorrindo, empolgado, querendo um mundo melhor. Siga firme meu irmão, a vida não acaba. Onde você estiver, com certeza vai estar querendo um mundo mais bonito!" NANDO CORDEL, cantor, compositor e instrumentista pernambucano, em sua página do Facebook.

"Difícil acreditar na morte do Eduardo Campos em plena campanha! A vida é muito frágil e fugaz. Perde o Brasil." LEONI, cantor e compositor, pelo Twitter.

"Meus sentimentos à família e amigos de Eduardo." MARCELO TAS, jornalista e apresentador, no Instagram.

"Estou absolutamente consternada. Estou indo agora para Recife para ficar perto da família, da mãe, que era muito amiga minha. É uma grande perda para o país de forma geral. O Eduardo era uma pessoa super-inteligente, muito culto. Ele fez um excelente trabalho pela cultura de Pernambuco e fortaleceu muito a arte popular. Ele era muito ligado ao Ariano Suassuna. Eu estava na maternidade quando ele nasceu. Tenho uma ligação muito grande com a família, com a mãe, com os tios. Tivemos uma ligação muito forte na nossa juventude. O Eduardo era um cara íntegro, inteligentíssimo, alto astral, que pensava grande, que conseguiu iniciar uma recuperação no Estado de Pernambuco, que mudou. Existe Pernambuco antes e depois do Eduardo. É uma grande perda para os filhos, para a mãe e para o país sobretudo." NARA ROESLER, galerista pernambucana, dono da galeria Nara Roesler, em São Paulo e no Rio, à reportagem.

"Estou em estado de choque. Minha dor é a dor pela perda de um menino que eu vi nascer. A mãe dele é minha amiga de infância. Sempre estivemos juntos. Não tenho nem palavras para expressar. Estou indo para Recife para ficar um pouquinho junto dela e da família. Eu o admirava e acreditava muito nele." SOCORRO DE ANDRADE LIMA, pernambucana, sócia da galeria Milan, em São Paulo, à reportagem.

"Minha família está muito triste. Eduardo Campos era, acima de tudo, um amigo muito querido. Todo o nosso amor à Renata e família. Estamos juntos nessa dor." LENINE, músico pernambucano, em sua página do Facebook.

"Na área da cultura ele foi muito fraco. Eu lamento muito. Eu conhecia ele e conheço a família. Lamento muito. Ele foi um grande pernambucano e lamento ele deixar muito novo os filhos e a viúva. Ele é um cara que sempre foi muito sério e tinha uma carreira toda pela frente. Mas na área cultural ele sempre manteve gestores sem nenhuma capacidade de gestão e nesse aspecto eu o condeno. Houve sempre um grande nepotismo. Mas lamento muito, porque ele era uma pessoa íntegra." PAULO BRUSCKY, artista plástico pernambucano, à reportagem.

"Lembro de Eduardo quando ele era menino, devia ter entre sete e oito anos. Era muito curioso, já falava em política. Era o político mais preparado desta geração. Ele fez um governo excepcional aqui em Pernambuco, colocou o Estado no mapa do Brasil de novo. É um perda enorme não só para Pernambuco. O Brasil não sabe o que perdeu." RAIMUNDO CARRERO, escritor pernambucano.

"É uma grande tristeza a morte do Eduardo Campos e de membros de sua equipe. O falecimento desta liderança nacional em ascensão representa uma grande perda para a democracia brasileira. Solidarizo-me com seus familiares, amigos e companheiros de PSB." JUCA FERREIRA, secretário de Cultura de São Paulo, em nota.

"Eu tinha uma expectativa boa em relação a ele e me senti muito chocado com a notícia. Foi uma grande perda. Era um dos candidatos em quem eu votaria, e fiquei muito impressionado com o que aconteceu. Tinha uma boa avaliação daquilo que ele começou a dizer e achei que era uma posição que coincidia com meu desejo de uma mudança. Senti bastante isso. Foi uma perda muito grande nesse momento." EMMANUEL NASSAR, artista plástico.

"Ele seria uma candidatura importante. Expressava para uma parte da população uma perspectiva de mudança, uma espécie de terceira via. Infelizmente isto foi perdido de maneira trágica, da pior forma possível. Eu pensava em votar nele. Acho que a Marina Silva deve assumir a candidatura agora. Ela pode crescer muito como candidata, tem um capital de confiança enorme." MILTON HATOUM, escritor, à reportagem.

"É uma grande perda. Há um trauma nacional. Todo mundo fala nisso. Com isso, temos um reaquacionamento do jogo político até agora. Isso significa um maior apoio à oposição e quase certo um segundo turno. Não sei quem vai ser, Marina ou Aécio. Aumentou a dúvida, as indefinições do processo. Os políticos também morrem, mas a política continua." JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI, professor de filosofia da USP e membro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), à Folha.

"Eu vou votar na Dilma, mas gostava muito do Eduardo. Era um cara direito, honesto, sensível. É uma enorme pena para um país que precisa tanto de bons quadros na política. Em 2018, certamente seria um candidato muito forte para a Presidência. Teria ainda um grande futuro pela frente". FERNANDO MORAIS, escritor, à reportagem.

"Triste pela família e triste pelo país, agora entregue novamente às raposas, sem esperanças de uma saída a curto prazo." FERNANDO MEIRELLES, cineasta, pelo Twitter - ele dirigiu vídeos para a candidatura de Marina Silva em 2010 e teve o nome cogitado pela chapa de Campos, mas não chegou a atuar na campanha.

"Pelo amor de Deus, querer saber o que muda na eleição em um momento triste como este! É hora de lamentar a tragédia e fazer silêncio respeitoso." XICO SÁ, escritor e colunista da Folha, pelo Twitter.

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