Com Marina na cabeça de chapa, Dilma perderia votos

Partido terá dez dias para realizar uma nova convenção e eleger um novo cabeça de chapa da sigla; especialista diz que vice de Campos seria o nome natural para assumir a disputa pela Presidência da República

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Com a morte de Eduardo Campos (PSB), o partido terá dez dias para realizar uma nova convenção e eleger um novo cabeça de chapa da sigla. Marina Silva, sua vice, segundo cientistas políticos, seria o nome natural para assumir a disputa pela Presidência da República. Na avaliação dos especialistas, Marina é capaz de acirrar a disputa e roubar votos da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata a reeleição.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Brasília (UnB), David Fleischer, a candidatura que mais deve ser afetada é a da petista. Para ele, a tendência é que Marina Silva seja lançada candidata com um vice homem do próprio PSB. “Marina vai tirar mais votos de Dilma do que do Aécio (Neves). A Marina está numa posição muito contrária a de Dilma e do PT. E o Aécio, certamente, vai tentar conquistar o apoio da Marina para o segundo turno”, afirmou.

Para o especialista, a morte de Campos também deve mexer no discurso e a agenda dos presidenciáveis. Ainda na avaliação de Fleischer, Marina deve ter um desempenho melhor do que Campos nas pesquisas, saltando dos atuais 8% para até 12%.  “Certamente, já na próxima semana, a Marina irá introduzir um discurso mais forte na questao de sustentabilidade e meio ambiente. Isso vai ter reflexo no discurso dos demais. Não sei se Marina chega aos 20% que conquistou em 2010, mas vai melhorar o desempenho até então de Campos”, afirmou.

O também cientista político da UnB Antônio Flávio Testa concorda que Dilma pode ser a maior prejudicada eleitoralmente com a morte do socialista e uma possível candidatura de Marina Silva. Mas o professor avalia que o PSB terá dificuldades de entrar em consenso sobre Marina. “O PSB terá muitas dificuldades para eleger um novo cabeça de chapa, tendo em vista que Marian tem uma visão ideológia muito diferente de Marina e da Rede. Por outro lado, o partido não tem um nome de relevância nacional”, afirma.

Para Antônio Flávio, um nome que pode entrar na disputa é o da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). “Seria o nome mais relevante, mas o PSB é um partido muito nordestino e a Herundina é de São Paulo. Campos estava estagnado nas pesquisas. Se o PSB não encontrar uma chapa propositiva, a eleição ficará ainda mais polarizada entre Dilma e Aécio”, disse.

Segundo o professor, o partido deve correr contra o tempo para anunciar o novo nome da disputa presidencial e o momento de comoção nacional. “Não só porque é preciso continuar a campanha, mas porque o partido deve aproveitar de forma inteligente esse momento de comoção nacional. De uma chapa de esperança, de alguém que vai realizar o sonho e os ideais de Eduardo Campos. A publicidade saberá fazer isso”.

Antônio Flávio também concorda que os votos de Dilma podem migrar para a chapa socialista se Marina for a escolhida. “A Marina deve trabalhar pesado com a juventude e a comunidade evangélica. Ela pode conquistar os dissidentes do PT”, afirmou o cientista político. 

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