Marketing eleitoral

iG Minas Gerais |

Uma campanha política é uma guerra de cinco batalhas. A primeira se inicia na convenção partidária, com o lançamento dos nomes dos candidatos. Depois, a luta pelo crescimento do perfil que se dá no corpo a corpo. O terceiro embate ocorrerá com a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Na primeira quinzena de setembro, inicia-se o quarto desafio: consolidar a candidatura; e a quinta batalha, sob as armas dos debates e das mobilizações, visa alçar o candidato aos primeiros lugares do ranking. Para sair na frente, o primeiro passo é conhecer o perfil dos eleitores. Em tempos de corrupção escancarada, a sociedade brasileira desconfia de perfis que prometem obras faraônicas, expressam mensagens inflamadas e ações espetaculosas de marketing. O momento é favorável a figuras que direcionem o foco de seu discurso para os problemas urgentes das comunidades. A discussão sobre política econômica é abstração para as massas, mas não deixa de ganhar repertórios selecionados. A desconfiança generalizada vem se transformando na mola para a mudança de paradigma na política. A sociedade brasileira começa a analisar o processo de maneira mais atenta e racional. O ideário da inovação e da renovação ganha espaço em meio a nomes carimbados do quadro nacional. Na contramão dos avanços, o marketing eleitoral patina nas pistas do passado. A razão para tanto é o crédito na teatralização da vida pública. Estarão interessados em empacotar os perfis na embalagem opaca do ilusionismo. A esperteza, o vale-tudo, a dramatização, os recursos artificiais e a hipocrisia têm sido a tônica da cultura política no ciclo da sociedade pós-industrial. A política e seus meios inspiram a personalização do poder. O marketing, nessa esteira, serve ao princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”. E o palanque da política acaba sendo o palco do teatro, do espetáculo, dos dramas e das comédias. Felizmente, o Brasil das ruas cheias de gente clamando por mudanças funciona como aríete contra os espetáculos falsos da política. O eleitor está mais apurado, mais exigente, mais desconfiado. Programas eleitorais mostrando candidatos como produtos de consumo de massa, com a imagem construída via efeitos cosméticos, podem ser um bumerangue. O que se vê hoje no cenário da campanha eleitoral para presidente é um triste retrato da longa distância que separa os anseios do povo do discurso dos candidatos. Não existe a menor conexão entre o recado das massas e as falas vazias dirigidas a pequenos públicos escolhidos pelas assessorias dos partidos. Maior prova é este início de campanha gelado, desprovido de qualquer emoção. Repetem-se práticas arcaicas num deserto de ideias e de promessas: candidatos beijando criancinhas e sorrindo para os fotógrafos, como se a fórmula ainda funcionasse como mágica para atração de votos. O resultado é o desencanto. A verdade se imporá sobre a ficção nesta campanha. Por tudo isso, nunca esteve tão na ordem do dia o lema: “Chegou a hora de passar o Brasil a limpo”.

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