O imbróglio da Petrobras e os escorregões de Dilma

iG Minas Gerais |

Coitadas das bananas: tão nutritivas, tão gostosas, mas, quando se quer dizer que num dado país as coisas vão de mal a pior, se diz “Republiqueta de Bananas”. Sou contra isso. Deixa as bananas em paz, e vamos cuidar de quem realmente tem culpa no cartório: nós, humanos, com nossas escolhas malfeitas, nossos juízos temerários, nossa mania de nos considerarmos impunes. Taí o imbróglio da Petrobras, que não me deixa mentir: começou com o destempero da presidente, respondendo a uma notícia de jornal denunciando que aprovara, como presidente do Conselho de Administração, um negócio cujo parecer a favor da compra tinha sido técnica e juridicamente malfeito. Um deus nos acuda. Bem que Lula avisou, do alto de seu vasto conhecimento: “Ela (referindo-se a Dilma) deu um tiro no pé’’. Não deu outra: duas CPIs ao mesmo tempo. Teria tal ocorrido alguma outra vez na história?! E se já não bastasse, veio a confusão do “treinamento prévio” dos convocados, patrocinado por assessores do governo e do Ministério de Relações Institucionais, devidamente acompanhados e, ao que parece, gravados, por um dos advogados da própria empresa...Vê se dá pra entender! O experimentado, ou experiente (afinal, ele também foi ministro das Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da própria Petrobras), ministro José Jorge encontrou a saída ideal: punir a menor das infrações cometidas (talvez para, com isso, poder recair a culpa apenas na diretoria executiva), só que, na pressa, incluiu no rol dos culpados quem já não era mais diretor no momento da dita decisão. E no lugar de Graça Foster entrou o pobre Ildo Sauer, um dos desafetos dela própria... Aí, melou tudo... Novo julgamento no TCU para colocar as pessoas certas nos lugares exatos ao tempo do ocorrido. Nisso, entra em pauta, mais uma vez, o prestimoso (e dizem que futuro ministro do STF) Luiz Adams, advogado geral da União, que resolveu fazer a defesa de Foster, quando o certo era defender a empresa, cujo controle é detido majoritariamente pela União contra quem, por suposto, havia dado prejuízo. Ato contínuo, o relator, num gesto pouco conhecido, pede vista de seu próprio voto já proferido. Já havia sido confusão demais, se o próprio Adams não viesse a público avisar que, se Foster for acusada, terá também de ser demitida, porque não é possível que alguém que seja responsável por bilhões de reais não tenha possibilidade de gerir seus próprios bens. Danou-se tudo. Se de fato acontecer tal desfecho, vai ser a segunda vez em que uma queridinha da presidente da República entra pela porta da frente e tem de sair pela porta de trás. Lembram-se de Erenice Guerra?! Pois a presidente não é muito boa na hora de escolher suas luluzinhas... Já que o assunto são as bananas, como escorrega Sua Excelência em cascas na hora de nomear sua assessoria! E que o imbróglio lhe sirva de lição.

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