Desafios dos europeus um século após a Primeira Guerra Mundial

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DUKE
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Pedro Nava disse certa vez que a experiência é um farol voltado para o passado. É no passado que vemos, tal qual Jano, os erros cometidos que não devem ser repetidos. A Europa parece que não aprende com os próprios erros. E se transforma em campo fértil para observações. Tudo o que foi criado por lá moldou o que somos no Ocidente. Não é errado, pois, dizer que o berço de nossa civilização é a Europa. Em especial, para nós, brasileiros. Em 1914, no auge da prosperidade, uma guerra sem sentido se instalou no continente por conta da incompetência de seus líderes em vislumbrar o que realmente importava. Mais de 10 milhões de combatentes morreram, e cerca de 20 milhões ficaram feridos. Cerca de 13 milhões de não combatentes pereceram no que foi o maior conflito da humanidade, até então. Os erros da Primeira Guerra Mundial ainda repercutem. As heranças dos quatro anos de uma guerra de motivos banais deram origem ao comunismo, ao nazismo e ao fascismo, entre outras doenças. A Primeira Guerra provocou eventos em sequência. Sem ela, não teria havido a Segunda Guerra, e talvez o mundo tivesse engatado um ciclo de paz e progresso por todo o século XX. A Europa perdeu a supremacia econômica, e os Estados Unidos emergiram como superpotência, condição que ainda mantêm. Quando eclodiu a Primeira Guerra, a Europa vivia um longo período sem conflitos. A ponto de muitos não acreditarem que algo tão grave e surpreendente poderia ocorrer a partir do assassinato do herdeiro da coroa do Império Austro-Húngaro, Franz Ferdinand, em 1914. A Europa de hoje ainda guarda algumas identidades com a Europa de antes da Primeira Guerra. Em especial, no que tange à inconsequência de seus líderes frente a graves problemas. Antes da crise que se instalou em 2010 e que até agora penaliza uma geração de jovens com o desemprego, o fortalecimento da Comunidade Europeia apontava para momentos de união e prosperidade. No entanto, a fragilidade das lideranças políticas do continente permitiu, de um lado, o acúmulo de dívidas fiscais insustentáveis e, de outro, a busca por soluções ortodoxas para a questão. O saldo da nova tragédia europeia foi o aumento exponencial do desemprego e o sacrifício de uma geração que nem estuda, nem trabalha. Sacrificar uma geração inteira por conta do descontrole de líderes não é a solução, e sim um erro. Enquanto isso, os EUA usam e abusam de políticas anticíclicas e retomam o seu crescimento, ampliando o emprego. Do lado de cá do Atlântico, os Estados Unidos assumem riscos e tentam vitalizar sua economia. Do lado de lá, o discurso de austeridade a qualquer preço faz suas vítimas. Às portas da Primeira Guerra, faltou discernimento dos líderes europeus para evitar uma tragédia de proporções e repercussões gigantescas. Os líderes europeus de hoje, em nome da austeridade que não praticaram quando deveriam, impõem privações que ameaçam o futuro da Comunidade. Pior, estimulam a criminalidade, a descrença no poder do Estado e da própria Comunidade. De passagem, vulneram o sentimento de solidariedade, que muito já fez pelos europeus. A ameaça atual está em fomentar a certeza de que o dinheiro é mais importante do que o trabalho. Apesar de a imigração desenfreada ser considerada uma ameaça, a verdadeira ameaça está em não dar esperanças a uma geração de jovens. A situação é tão grave que o FMI afirma que “a própria sobrevivência da Europa depende de trazer os jovens de volta ao mercado de trabalho”.

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