A chatice do mesmo

iG Minas Gerais |

Reza a lei da conservação das massas, de Lavoisier, que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A política partidária brasileira, em particular a mineira, contraria esse princípio. Se aqui nada se cria há muito tempo, também nada se aproveita e, com a chegada das campanhas eleitorais, sempre que se transforma é para pior. Um dia desses dei uma olhada na agenda política dos principais candidatos ao governo do Estado: um, cercado de desconhecidos, tomava café com sorriso forçado numa famosa cafeteria no centro da cidade; outro faria passeata numa pequena cidade do interior. Eu, então, com minhas desilusões, pensei: que ridículo, meu Deus... O cara em pé na carroceria de um caminhão, debaixo de um foguetório dos infernos, batendo a mão para o povo que, na rua e nas janelas, corre para ver o furdunço, sem saber quem era o artista. Isso podia dar voto no tempo do onça. Disputei sete eleições e procedia assim, até o dia em que fui censurado pelo maior chefe político que conheci, depois do meu querido pai. Durante quase 20 anos, fui deputado majoritário por São Francisco, município situado nas barrancas do rio de mesmo nome. Nunca gastei uma palha naquele município, que era liderado por Brasiliano Braz, um homem com agá maiúsculo. Certo dia, em tempo de campanha eleitoral, fui a uma vaquejada na fazenda do então candidato a prefeito municipal, em que umas 3.000 a 4.000 pessoas bebiam e comiam à tripa forra. Depois de algumas pingas, convidado a correr uma novilha de uns dois anos, montei um cavalo de nome Corisco e fiz parelha com o também deputado Antônio Dias, do Brejo das Almas. Quando soltaram o animal, saímos em disparada, e quando levei a mão para derrubar a bicha, vi que tinha passado a linha de limites. Não consegui mais parar o Corisco e tive, então, de pular a cerca que limitava a pista. Foi um susto para meus amigos e um choque para o velho e querido Brazinha. Fiquei com a bunda toda escalavrada. Terminada aquela aventura, que eu jamais pensei demagógica, fui chamado pelo amigo Brasiliano para um particular. Foi o dia em que caí na real... “Sylo”, disse ele, “você acaba de me causar uma enorme decepção. Isso que você acaba de fazer, todo mundo que está aqui faz melhor que você sem precisar de votos. Você fez papel de gente besta. Se tivesse caído e quebrado uma perna ou braço, certamente muita gente teria achado bom e aplaudido”. Desde então, mudei meu comportamento nessas ocasiões. Ser popular não é querer ser bom de sela, em todos os sentidos. Esse tempo de campanha é igual àquele que passou: as mesmas promessas, as mesmas caras, alguns renovados, é verdade, outros ridículos, com implantes de cabelo, para disfarçar o vazio de ideias. Sei não, mas, devendo o que devemos – só de juros pagamos R$ 120 bilhões por ano –, não chegaremos a lugar algum. Dilma Rousseff terrorista, ex-Luiz, mensaleiros e pareceristas tipo Antonio Palocci ou Fernando Pimentel... Aff!

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