Diretor do Atlético explica em detalhes a dívida do clube alvinegro

Clube alvinegro tem R$ 272 milhões em dívidas ativas com a União e luta para liberar o 'dinheiro do Bernard'

iG Minas Gerais | FERNANDO ALMEIDA |

Rodolfo Gropen é advogado tributarista e, ao lado de Kalil, luta em Brasília para o desbloqueio do dinheiro retido pela União
DIVULGAÇÃO/ATLÉTICO
Rodolfo Gropen é advogado tributarista e, ao lado de Kalil, luta em Brasília para o desbloqueio do dinheiro retido pela União

O Atlético passa por problemas financeiros e tem como principal frente de resolução o parcelamento da dívida para, depois de mais de um ano, conseguir o desbloqueio completo do dinheiro referente à venda do meia-atacante Bernard ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Em entrevista a O TEMPO, o diretor de planejamento do Atlético, Rodolfo Gropen, explica em detalhes a dívida atleticana.

O dirigente fala com propriedade, já que é advogado tributarista e atua, ao lado do presidente alvinegro, Alexandre Kalil, em reuniões junto ao Governo Federal na discussão do parcelamento viável da dívida atleticana, com o intuito de zerar a dívida ativa com a União.

Na entrevista a O TEMPO, Gropen comenta sobre a Timemania, o ranking divulgado pela ESPN (que coloca o Galo na liderança dos clubes com maior dívida ativa - R$ 272 milhões), as contas já pagas pelo Atlético e o que pode ser feito pelo Galo para finalizar as dívidas do clube.

Confira a entrevista completa com Rodolfo Gropen:

O ranking da dívida ativa  

Se o Atlético tivesse feito um acordo, o valor da divida ativa não seria esse. Desde o agosto estamos em contato com a AGU e a PGFN para fazer um acordo nos moldes de outros clubes, com o Flamengo, Vasco, Botafogo...

Hoje estamos aguardando uma resposta da AGU. Pode ser que a AGU esteja aguardando este projeto de lei no Congresso (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte), que pode ajudar a resolver o problema tributário que vem desde a década de 1990.

O grande problema de dívida que o Atlético tem é a Federal, que vem de anos. Poderá ser até zerado essa dívida ativa com o Atlético se conseguirmos o parcelamento que estamos querendo. Esta é a última questão que falta o Atlético resolver.

Formação da dívida - Timemania

Quem deixava de pagar (a Timemania) um mês ou outro não era excluído. A Timemania, se você atrasar um mês ou outro você poderia ser excluído, mas todo mundo atrasava. No final de 2012, a receita federal resolveu excluir do Timemania todo mundo que estivesse atrasado. É por isso que o Flamengo, Vasco e outros clubes buscaram um acordo e nós estamos buscando o nosso.

Consequência: dinheiro retido

A venda do Bernard foi na casa dos R$ 76 milhões, sendo bloqueados R$ 54 milhões. Tivemos alguns acordos e agora faltam R$ 36 milhões para serem liberados, que naturalmente estão fazendo falta no nosso planejamento. Esperamos que com o acordo que estamos batalhando há um ano aconteça, ou com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Contraponto

Tínhamos mais de R$ 50 milhões de dividas trabalhistas e agora não temos mais. Tínhamos 184 títulos protestados em cartório, hoje é zero. Tínhamos dívidas municipais, todas pagas. Tínhamos dividas com o Estado, que foram parceladas e já terminamos o parcelamento. Existiam dezenas de execuções municipais e estaduais, que foram quitadas pelo Atlético.

Resolução buscada pelo clube

Há uma lei de 1997 que permite um parcelamento de 60 (meses), mas linear, ou seja, não precisa pagar o mesmo valor em 60 meses. Podemos pagar, por exemplo, 8% no primeiro ano, 15% no segundo e vai aumentando aos poucos. Isso só é autorizado quando é assinado pela AGU, pela PGNF, e pelo Ministro da Fazenda.

E nesse caso começamos a conversar com a PGNF, mas o ministro da AGU, Luiz Adams, não concordou e tomou o caso para ele. Estamos esperançosos disso se resolver.

Pode ser que ele esteja aguardando essa Lei. Pois o Kalil me disse que a reunião com a presidente foi muito boa. Ou seja, toda a divida seria dividida em 25 anos, ou mesmo em 20 anos.

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