UFMG expulsa e suspende alunos que participaram de trote racista

Em março do ano passado, fotos circularam na internet mostrando uma caloura carregando uma placa em que dizia ser "Xica da Silva" e outros alunos fazendo o gesto nazista

iG Minas Gerais | Da redação |

A recepção aos calouros aconteceu na última sexta (15), na faculdade de Direito, no centro da capital
Reprodução Facebook
A recepção aos calouros aconteceu na última sexta (15), na faculdade de Direito, no centro da capital

O Conselho Universitário da UFMG decidiu pela expulsão e suspensão de alunos da Faculdade de Direito que participaram de um trote racista, em 15 de março do ano passado, em que os calouros foram amarrados em postes e acorrentados.

Fotos do trote repercutiram nas redes sociais, mostrando uma caloura com o corpo pintado de preto, algemada e segurando uma placa com a inscrição "Caloura Xica da Silva". Em outras imagens, um aluno pintou um bigode como o de Adolf Hitler, fazendo a mesma saudação nazista do ditador, próximo a um estudante amarrado a uma pilastra com fita adesiva.

Em reunião na tarde desta terça-feira (12), o Conselho Universitário decidiu pela expulsão do aluno Gabriel de Vasconcelos Spínola Batista e pela suspensão por um semestre dos alunos Gabriel Augusto Moreira Martins, Gabriel Mendes Fajardo e Giordano Caetano da Silva pelo envolvimento na aplicação do trote.

Segundo comunicado da UFMG, "a decisão segue recomendação feita por comissão encarregada de conduzir o processo administrativo disciplinar instaurado contra os estudantes. Integrada pelos professores Adriana Goulart de Sena Orsini (presidente), Roberto Luiz Silva e Mariah Brochado Ferreira, todos da Faculdade de Direito, a comissão atuou em consonância com o Regimento Geral e com o Estatuto da UFMG."

A comissão trabalhou no caso desde 7 de outubro de 2013.

Repercussão

Pelo menos duas fotografias amplamente veiculadas na época do trote pelas redes sociais e pela imprensa causaram grande repercussão e indignação. Na primeira, um calouro está amarrado em uma pilastra e, ao seu lado, três colegas fazem a clássica saudação nazista com o braço direito erguido. Na outra, uma estudante pintada de preto aparece acorrentada por um veterano com a inscrição "Caloura Chica da Silva”.

Em seu parecer, a comissão observou que as imagens “são repulsivas e remontam a situações simbólicas de discriminação histórica, além de atentar contra as conquistas da liberdade, igualdade e diversidade garantidas juridicamente, o que não pode ser olvidado, especialmente em uma faculdade de Direito”.

O reitor Jaime Ramírez considerou adequada a punição imposta aos estudantes: “A Universidade tem uma responsabilidade perante a sociedade e a comunidade, e atos como esses não podem ser tolerados. O trabalho da comissão e a decisão do Conselho Universitário vão ao encontro de medidas adotadas recentemente, como a resolução que proíbe trotes estudantis e a instalação de comissões para analisar questões como os direitos humanos e o combate à discriminação, a adoção de regras para uso do nome social e a acessibilidade”.

E concluiu: “Todas elas são coerentes com os esforços empreendidos pela UFMG para criar cada vez mais um ambiente inclusivo e de respeito à diversidade e à diferença”.

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