Linhas de ônibus deixaram de circular próximo às ocupações

Conforme denúncia feita pelos moradores, as linhas 5534 (Conjunto Zilah Spósito) e 607 (Esplendor/Jaqueline) deixaram de circular na região de a noite de segunda-feira (11)

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Além de viverem com o medo de um despejo que pode acontecer a qualquer momento, as pessoas que vivem nas três ocupações na mata do Isidoro, na região Norte de Belo Horizonte, estão sem linhas de ônibus circulando da região desde a noite de segunda-feira (12), conforme denúncia de moradores. 

Conforme o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o ponto final da linha 5534 era praticamente em frente à entrada da ocupação Rosa Leão. Desde a noite desta segunda os coletivos deixaram de parar no local, com o novo ponto final a cerca de oito quarteirões das ocupações, no bairro Jaqueline.

Ainda de acordo com o movimento, nada foi comunicado à população sobre a alteração, sendo que as pessoas precisam andar uma longa distância para conseguirem seguir para os seus destinos. A moradora da Rosa Leão, Pâmela Laila Lopes, de 21 anos, está grávida de quatro meses e saiu de casa às 4h20 desta terça-feira (12) para ir ao trabalho de sub-gerente, na região hospitalar. 

"Já tenho que sair 4h20 de casa para poder chegar 6h no serviço por causa das filas no ônibus. Hoje (terça-feira) eu precisei andar muito e de madrugada", disse a mulher. Segundo a moradora, desde a noite de segunda que a linha 5534 não fica no ponto final e a 607, que passava pela região, também teria deixado de circular. 

"Acho muito perigoso eu ficar andando de madrugada. A questão é que ficou muito longe, pois tenho que subir toda a ocupação e andar uns 8 quarteirões até o ponto. E tudo sem avisar nada para a população", protestou. 

Resposta

Procurada pela reportagem de O TEMPO, a empresa que administra o trânsito de Belo Horizonte, BHTrans, informou por meio de uma nota que a "alteração de pontos de linha do transporte coletivo da capital que circulam na região citada só acontece quando há negociação entre moradores e a Polícia Militar (PM). Tal remanejamento ocorre por uma questão de segurança de todos os envolvidos e a pedido da própria polícia", afirmava o texto. 

Ainda conforme a empresa, se o ponto final tiver sido alterado sem nenhuma negociação acontecendo no local, ela foi feita pelas empresas, sem o aconselhamento da BHTrans. O Sindicato das Emprestas de Transporte de Passageiros de BH (Setra-BH) foi procurado, mas ainda não se posicionou sobre a alteração.

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