Cidade pode ganhar nova delegada

Coletivos feministas planejam ações e oferecem suporte a vítimas de abuso

iG Minas Gerais | Lucas faria |

Mulheres denunciam que estupro é prática frequente em repúblicas
DENILTON DIAS / O TEMPO
Mulheres denunciam que estupro é prática frequente em repúblicas

Um dia após reportagem de O TEMPO revelar os constantes casos de estupros durante festas realizadas em repúblicas de Ouro Preto, na região Central do Estado, a Polícia Civil afirmou que trabalha para designar uma nova delegada para a cidade. Ainda não há projeto para a implantação de uma delegacia especializada no município, mas o objetivo é que a profissional atenda casos de violência contra a mulher. Após a denúncia, coletivos que lutam em prol da causa feminista também articulam novas ações contra os abusos sexuais e o machismo que seriam comuns em repúblicas de Ouro Preto. Seis mulheres – estudantes e ex-alunas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) – contaram ter sido abusadas entre os anos de 2006 e 2014. Os crimes seriam cometidos durante festas, nas quais uma bebida chamada de “batidão bolado” era servida às convidadas. O líquido teria remédios usados para dopar as mulheres e, assim, facilitar os estupros. Envolvida com a luta feminista desde 2008, a professora de artes cênicas da Ufop Nina Caetano planeja uma ação artística e de conscientização sobre o assunto. “Vamos fazer uma campanha para orientar as mulheres a não se calarem, a denunciarem seus agressores, a romperem com o medo”, disse a professora, integrante do coletivo feminista Ninfeias. Em 25 de novembro de 2013 – Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher –, o grupo promoveu, na cidade, uma colagem de cartazes com cerca de 30 mensagens feministas. O material trazia frases como “meu corpo não é público” e “estupro não é culpa da vítima: violência sexual é crime”. “Vários grupos já estão se unindo em Ouro Preto para discutir o machismo e a homofobia. E a reportagem foi um passo muito importante no sentido de empoderar as vítimas de abuso, que agora viram que têm espaço, que têm voz, que podem e devem falar”, pontua. Nina afirmou ainda que o coletivo Ninfeias oferece suporte às vítimas de abuso e agressão. “Acompanhamos as mulheres na delegacia, nas audiências, ajudando-as a se manterem fortes no momento de denunciar os abusos”. A mulher que precisar de apoio pode fazer contato com o coletivo por meio da página na rede social Facebook. Outro grupo feminista que articula novas ações é o Menos Pausa. “Faremos um debate na calourada unificada, que acontecerá entre os dias 26 e 28 de agosto no campus da Ufop. Vamos trazer um grupo feminista de Florianópolis para reforçar essa discussão, que foi reacesa agora”, disse Lara Quintino, integrante do coletivo e estudante de serviço social da Ufop. Posicionamento. Procurada nesta segunda pela reportagem, a assessoria da universidade apenas reiterou que “até o momento não recebeu nenhuma denúncia formal sobre o assunto, a partir da qual possa iniciar um processo administrativo”. A Ufop não respondeu se fará campanhas educativas ou preventivas.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave