Vagas distantes trazem riscos

Proibição de estacionamento no entorno do estádio foi tema de audiência pública na noite de ontem

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Restrição de vagas foi discutida em audiência pública ontem
Marcelo Aro/divulgação
Restrição de vagas foi discutida em audiência pública ontem

Com o fim do padrão Fifa no estádio do Mineirão, na Pampulha, torcedores enfrentam problemas para estacionar e muita insegurança. Um mês após a Copa do Mundo, quem vai ver os jogos precisa parar a cerca de três quilômetros de distância e seguir a pé. Sem o forte esquema policial que foi implantado durante a Copa, o motorista ainda fica sujeito a assaltos, flanelinhas, chuva e outros transtornos.

Na tentativa de resolver os problemas, o vereador Marcelo Aro (PHS) convocou uma audiência pública, na noite de ontem, na sede da Federação Mineira de Futebol (FMF), no Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, para discutir os interesses dos envolvidos nos jogos. “Torcedores estão tendo que andar cerca de três quilômetros, muitas vezes debaixo de chuva, porque não podem parar o carro mais perto. Isso é um absurdo. O jogo de quarta-feira acaba à meia-noite, e o torcedor tem que andar mais uma hora para chegar até seu carro. O Mineirão está lá desde 1965 e nunca foi assim, só durante os eventos da Fifa. O único órgão que é contra acabar com essa restrição é a BHTrans”, afirmou Marcelo Aro. No início da noite de ontem, participaram do encontro representantes da própria FMF, da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), do Ministério Público, da Secretaria Regional Pampulha, do time do Cruzeiro e da Minas Arena, administradora do estádio. A Polícia Militar foi a única convidada que não compareceu à audiência. Segundo o parlamentar, a BHTrans afirma que são apenas 340 vagas no entorno do estádio e que o bloqueio garante a acessibilidade dos pedestres e a mobilidade urbana. “Esse argumento não me convenceu. Acredito que sejam mais vagas. Pedimos que fosse feito um teste no jogo deste domingo. Vou ao plenário da Câmara novamente e cobrar até que as pessoas possam estacionar perto do Mineirão”. Ainda conforme o parlamentar, a BHTrans informou, durante a audiência, que o prefeito Marcio Lacerda solicitou, há 30 dias, que fosse feito um estudo de viabilidade no entorno do Mineirão e que, somente após os resultados, a questão do estacionamento poderá ser reavaliada. Os moradores da região seriam contra a liberação das vagas. A BHTrans explicou, por meio de sua assessoria, que uma comissão da prefeitura vai avaliar as possibilidades de melhorar o atendimento no Mineirão. A autarquia ressaltou que o esquema atual para os jogos foi definido no início do ano junto ao Ministério Público. Enquanto isso, os torcedores continuam a ser prejudicados. O empresário Bruno Ziviani, 35, conta que tem deixado o carro no bairro Ouro Preto. “Ando sozinho até o carro, e não tem fiscalização para flanelinha. O carro pode ser roubado ou danificado”. Ele acrescenta que outro risco é a torcida organizada. “É perigoso porque você pode acabar sendo surpreendido”.

Pós-Copa Depressão. No primeiro jogo no Mineirão após a Copa, O TEMPO mostrou problemas enfrentados pelos torcedores com o fim do padrão Fifa. A sensação era chamada de “depressão pós-Copa”.

Virou notícia Flanelinhas. Ainda durante o Mundial, a reportagem flagrou a ação de flanelinhas na região do Mineirão. Quem optava por ir de carro aos jogos tinha que lidar com assédio e preços altos cobrados por flanelinhas – uma vaga nos jogos da Copa chegava a custar R$ 100. Move. Reportagem de O TEMPO mostrou também, em junho, a intenção da prefeitura de estender o trajeto do Move até o estádio, para facilitar o acesso dos torcedores. Os ônibus que agora vão até a avenida Antônio Carlos iriam até a porta do estádio, na Abrahão Caram. Ainda não há avanços na proposta. Hoje, os ônibus deixam os usuários a 2 km dos portões do estádio, e o torcedor gasta, em média, 20 minutos a pé para percorrer o trecho.

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