Paulo Coelho chega ao cinema

Longa estreia nesta quinta-feira em mais de 300 salas de todo o Brasil

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

Casal. Fabiana Gugli interpreta Christiana Oiticica, e Júlio Andrade vive Paulo Coelho na fase adulta
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Casal. Fabiana Gugli interpreta Christiana Oiticica, e Júlio Andrade vive Paulo Coelho na fase adulta

O escritor Paulo Coelho não é uma unanimidade, mas é o autor brasileiro mais popular no mundo. Os detratores de plantão enxovalham a pobreza literária de sua obra, composta de 30 livros, traduzidos em 80 idiomas, distribuídos em 224 territórios e que venderam, ao todo, mais de 165 milhões de cópias. O autor de “O Diário de um Mago” e “O Alquimista” é imortal da Academia Brasileira de Letras desde 2002, onde ocupa a cadeira de número 21.

Não há como negar que Paulo Coelho é mais conhecido que qualquer um de seus livros e que mantém uma atitude digna e elegante diante das críticas que recebe sobre suas obras, que podem ser encontradas em livrarias de Jerusalém, Espanha, Bruxelas e têm versões piratas em árabe e chinês.

O homem é uma lenda, e sua história inspira e desperta curiosidade. Talvez por isso mesmo, o título da biografia de Paulo Coelho no cinema seja “Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho”, que estreia nesta quinta-feira em mais de 300 salas do Brasil.

A melhor parte do filme, e talvez a menos conhecida do público, é sua pré-adolescência e juventude, nos anos 60, vivida pelo ator Ravel Andrade, que arrasa nas cenas de tentativa de suicídio, internação em um manicômio e problemas familiares com o pai.

O irmão do ator, Júlio Andrade, dá vida ao escritor nos anos 80, quando Paulo Coelho mergulha em uma busca existencial, conhece o parceiro Raul Seixas, se joga no universo do sexo livre, das drogas, do rock, faz um pacto com o diabo e conquista fama e fortuna com a música.

Cronologia. O filme peca pela descontinuidade cronológica, com flashbacks que tornam a narrativa um tanto lenta e cansativa e não explora a vida literária de Paulo Coelho depois que ele publica seu primeiro livro, “Diário de um Mago”, em 1987. As cenas de 2013 quando o escritor, já com 65 anos, refaz o caminho de Santiago de Compostela ao lado de sua mulher Christiana Oiticica, são vagas e não acrescentam nada.

Até mesmo o ator Júlio Andrade confessou sua dificuldade em encarnar o personagem já maduro. “Durante oito dias, usei uma prótese de látex que cobria o rosto inteiro, pesava 5 kg e exigia cinco horas de aplicação e maquiagem. A maior dificuldade foi integrar minha expressão ao resultado. A máscara me levou ao limite da exaustão. Descobri que precisava aplicar uma intensidade duas vezes maior do que o habitual para que a cena tivesse realidade, emoção e vitalidade”, revelou o artista.

Técnica. “Não Pare na Pista” é um filme tecnicamente bem-cuidado e com produção de primeira, mas o diretor estreante Daniel Augusto não conseguiu contar a melhor história de Paulo Coelho, pois optou por uma ótica linear e racional para falar de um sujeito cuja obsessão por se tornar não apenas um escritor, mas o mais famoso do mundo, parece lhe conferir atributos indeléveis e inexplicáveis.

Paulo Coelho não é para ser decifrado, compreendido, retratado e nem tampouco unanimidade.

O filme não consegue construir uma narrativa que possa agradar ou despertar o interesse nos “seguidores e adoradores” do mago, nem aos curiosos e tampouco em quem pouco sabe sobre sua existência. O roteiro, no entanto, tem méritos ao se furtar de definir o homem, o músico, o mago, o escritor, a fama e os motivos que levaram Paulo Coelho a ser conhecido em todo o mundo.

A obra, felizmente, não comete o pecado de explicar o mistério que cerca Paulo Coelho que, em sua obra, se apropriou de conceitos de doutrinas e tradições religiosas e vem desnudando homeopaticamente sua alma, sua essência, livro após livro, seja como mago, Verônica, bruxa ou prostituta.

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