Indústria brasileira do aço pode fechar 2014 no vermelho

Baixo crescimento do PIB e concorrência externa afetam o setor

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Pessimismo. Marco Polo de Mello e Benjamin Mario Baptista, do IABr, lamentam ano ruim do setor
Adri Felden/Argosfoto
Pessimismo. Marco Polo de Mello e Benjamin Mario Baptista, do IABr, lamentam ano ruim do setor

São Paulo. A indústria do aço deve fechar 2014 com resultados negativos para produção (-2,5%), vendas internas (-4,9%) e consumo aparente de aço – soma das vendas internas mais a importação por distribuidores e consumidores (-4,1%). Os motivos são o fraco crescimento da economia brasileira, além do impacto da concorrência internacional. “O crescimento do Produto Interno Bruto no ano passado ficou aquém das expectativas. E, neste ano, deve ser menor que 1%. E o cenário internacional também não ajudou muito”, observou o presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil (IABr), Benjamin Mario Baptista, nesta segunda, em São Paulo, um dia ante do início do Congresso Brasileiro do Aço.  

Diante dos resultados negativos no acumulado do ano até julho, o IABr acabou revendo suas projeções para o ano. As vendas internas, por exemplo, registraram queda de 6% na comparação com os primeiros sete meses de 2013. As exportações caíram 1,6%, enquanto que as importações registraram alta de 15,9%. O consumo aparente apresentou queda de 3,1%. Com a retração do mercado, a produção teve queda de 1% nesse período.

A estimativa de produção de aço bruto para 2014, que era de crescimento de 5,2%, agora é negativa (-2,5%), num total de 33,3 milhões de toneladas. Para as vendas nacionais, a perspectiva de alta de 4,1%, passou para retração de 4,9%. Apenas as exportações tiveram perspectiva de melhora, com incremento que saltou de 2,3% para 3,9%, resultado influenciado pela retomada do alto forno n° 3 da ArcelorMittal Tubarão em julho para a produção de placas voltadas para a exportação.

O consumo aparente também foi revisto para baixo. A última previsão era de incremento de 3%. A nova estimativa passou para recuo 4,1%. “O modelo de incentivo ao consumo chegou ao limite, o que pode ser constatado pelo endividamento das famílias e redução da demanda”, diz.

O presidente executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, observou que a indústria da transformação está perdendo participação no Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), que já chegou a 35,9% e no ano passado ficou em 13%. “O setor vem perdendo competitividade”, frisou.

Baptista aposta em melhoria do cenário nacional no fim de 2014. “Depois da Copa, o país voltou a trabalhar. A tendência é que os próximos meses sejam melhores que junho e julho. Em agosto e setembro é época das ordens de Natal”, diz.

Para 2015, a previsão do presidente de Baptista é de que será um ano complicado independente do governo. “Temos vários problemas acumulados, entre eles as tarifas que foram represadas, como é o caso da energia elétrica, além da pressão inflacionária”, observou.

Em Minas Parcela. Minas Gerais foi responsável por 32,7% da produção de aço no país, nos sete primeiros meses de 2014. A produção brasileira de aço bruto em julho foi de 2,9 milhões de ton.

A repórter viajou a convite do Instituto Aço Brasil

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