Jovens preferem Aécio, e os mais velhos querem Dilma

Para presidente, a juventude quer o PSDB, mas para o governo de Minas, o favorito dos jovens é o PT

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |



Paulo Roberto Leal avalia que os jovens preferem o voto na oposição
RAFAELA ALMEIDA/DIVULGACAO
Paulo Roberto Leal avalia que os jovens preferem o voto na oposição

A tendência do eleitorado mineiro jovem, entre 16 e 24 anos, que corresponde a cerca de um quarto do total de votos em Minas, é votar para presidente no candidato Aécio Neves (PSDB). Em contrapartida, os eleitores com mais de 55 anos, que representam cerca de 20% do total no Estado, têm maior tendência de votar em Dilma Rousseff (PT). Essa é uma das conclusões da pesquisa DataTempo/CP2, que entrevistou 1.827 mineiros entre 31 de julho e 4 de agosto. O número de registro na Justiça Eleitoral é BR-00290/2014. Na corrida pela Presidência, Aécio tem 41,2% das intenções de voto contra 33,8% de Dilma. No entanto, a vantagem do tucano sobe para mais de 20 pontos percentuais na faixa entre 18 e 24 anos – ele aparece com 48,9% das intenções de voto, e ela tem 26,2%. Em contrapartida, entre os eleitores mais velhos, Dilma bate o tucano no Estado: 39,4% a 35,7%. A tese de que o “calcanhar de Aquiles” da petista é o eleitorado mais jovem é reforçada com os números divulgados sobre sua avaliação de governo. De modo geral, 32% dos eleitores aprovam o governo Dilma. No entanto, entre os jovens, esse número fica bem abaixo disso. Na faixa dos 18 a 24 anos, avaliam o governo como “muito bom” ou “bom” 19,9%. Entre os que têm 16 ou 17 anos, cujo voto é facultativo, são 27,5% os que aprovam o mandato da petista, índice também abaixo da média. Se há uma certa má vontade entre os mais jovens com a candidata do PT, os mais velhos não demonstram sentimento muito melhor pelo nome do PSDB. Em seu Estado, Aécio Neves fica atrás de Dilma entre os eleitores que já passaram dos 55 anos. Nesse caso, 39,4% declararam intenção de votar na petista contra 35,7% que pretendem votar no tucano. A comparação evidencia, para o cientista político Paulo Roberto Leal, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que os mais jovens criticam quem ocupa o poder. “Esses jovens só viram o governo do PT. Há uma demanda deles por transformação, um traço de inconformidade com a política contemporânea e uma busca por uma alternativa na oposição. Na história, as gerações que vieram depois de um processo revolucionário não têm memória do que aconteceu antes”, analisa o professor. Estratégia. A divisão entre o eleitorado jovem e o mais velho nas eleições deste ano já aponta para algumas táticas adotadas pelas campanhas para minimizar a rejeição em um lado ou outro. Os petistas, principalmente na internet, comparam seus governos com os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que os antecederam. Já os tucanos comparam as figuras de Aécio e Dilma, ressaltando os problemas da administração atual. 

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