Realidade brasileira em foco

Lilia Schwarcz, André Botelho e Heloísa Starling debatem e lançam “Agenda Brasileira”, nesta terça, no Palácio das Artes

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Autora. Lilia Schwarcz discute o racismo em “Nem Preto, Nem Branco, Muito Pelo Contrário – Cor e Raça na Sociabilidade Brasileira”
Companhia das Letras
Autora. Lilia Schwarcz discute o racismo em “Nem Preto, Nem Branco, Muito Pelo Contrário – Cor e Raça na Sociabilidade Brasileira”

Dividida em quatro volumes, a coleção “Agenda Brasileira”, publicada pela Companhia das Letras em parceria com a Claro Enigma, é tema do bate-papo com Lilia Schwarcz, André Botelho e Heloísa Starling, nesta terça, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, a convite do Projeto Sempre Um Papo. Na ocasião, Schwarcz e Botelho, organizadores do projeto, devem detalhar os principais eixos de cada edição.

São elas: “Nem Preto, Nem Branco, Muito Pelo Contrário – Cor e Raça na Sociabilidade Brasileira”, de Lilia Schwarcz; “Cidadania, um Projeto em Construção” (vários autores); “As Figuras do Sagrado – Entre o Público e o Privado na Religiosidade Brasileira”, de Maria Lucia Montes; e “Índios no Brasil”, de Manuela Carneiro da Cunha.

“Na coletânea, há uma atenção para vários direitos civis que nos interessa abordar neste momento. Foi fundamental pensar em questões que dizem respeito à agenda atual do país”, explica Lilia Schwarcz, que é antropóloga e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Ela acrescenta que a escolha dos autores dos ensaios e dos temas se deu a partir do reconhecimento da competência dos selecionados e da relevância dos assuntos.

“Houve uma combinação dessas duas coisas. Quando começamos a desenhar o projeto, nós tínhamos uma ideia de quem queríamos que escrevesse os textos e os pontos a serem abordados. Entendemos o conjunto como uma obra aberta à qual vamos dar continuidade. A ideia é manter a proposta chamando outras pessoas”, afirma Schwarcz.

A organizadora antecipa que já estão em vista outros títulos que vão analisar aspectos como a violência, a juventude, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. “Esses serão inspirados no mesmo modelo dos livros anteriores, que se debruçaram sobre o racismo, a religião e a situação dos indígenas”, pontua.

Motivou a criação dessa iniciativa a boa acolhida de “Um Enigma Chamado Brasil”, que conquistou o prêmio Jabuti, na categoria Ciências Humanas, em 2010. A publicação inaugurou a série que analisa a realidade social, política e cultural brasileira. Schwarcz observa que a maneira como essa proposta provocou o interesse de um público além do estudantil também incentivou a produção de outros volumes.

“Nós pensávamos que esses livros iriam atender especialmente aqueles que cursavam o ensino médio, mas agora estamos notando que há um segmento muito maior em busca desse tipo de trabalho”, observa.

Dentre os tópicos discutidos, a autora frisa que há mais de duas décadas estuda o problema do racismo no país. Em “Nem Preto, Nem Branco, Muito Pelo Contrário – Cor e Raça na Sociabilidade Brasileira”, por exemplo, Schwarcz analisa mudanças na perspectiva do brasileiro diante dessa forma de preconceito.

“A sociedade brasileira vive um momento diferente desde quando comecei essa pesquisa, em 1988. Havia naquele momento um contexto em que quase ninguém falava sobre o racismo. Hoje, essa discussão entrou na pauta via ação dos movimentos negro e quilombola. O livro acompanha esse percurso”, conclui.

Agenda

O quê. Sempre Um Papo com Lilia Schwarcz, André Botelho e Heloísa Starling

Quando. Nesta terça, às 19h30

Onde. Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, centro)

Quanto. Entrada franca

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