Altos e baixos de Ronnie Von

Em biografia, cantor relembra preconceito da família contra carreira musical e dos amigos por ele vir da classe alta

iG Minas Gerais |

Rixa. Rivalidade com Roberto Carlos teria sido forjada por diretores de programas concorrentes
PAULO CHICO DIVULGACAO
Rixa. Rivalidade com Roberto Carlos teria sido forjada por diretores de programas concorrentes

SÃO PAULO. Demorou para Ronnie Von ceder à insistência dos jornalistas Luiz Cesar Pimentel e Antonio Guerreiro, que queriam escrever a sua biografia. Mas chega agora às livrarias “Ronnie Von – o Príncipe que Podia Ser Rei” (R$ 34,90, 158 págs., Planeta). “Eu tinha muitos receios, e o livro cutucou algumas feridas do passado. Mas ser uma pessoa pública tem seus ônus. E, claro, problemas só mudam de endereço. Todos nós temos nossos altos e baixos”, afirma o cantor e apresentador do “Todo Seu” (TV Gazeta).

Von só teve coragem de ler a própria biografia no dia do lançamento. “Tinha mais de 2.000 pessoas na livraria, senti como se eu estivesse na minha juventude”, brinca ele, que costumava ser caçado pelas fãs por causa da beleza.

O livro lembra que Ronnie Von teve de enfrentar uma família tradicional para, finalmente, cair no mundo do rock and roll e que sofreu preconceito dos colegas, por vir de uma classe alta. “Eu ouvi muito que estava pegando o lugar de quem precisava, sofri um preconceito às avessas”.

O cantor se mudou de Niterói para São Paulo sem nenhum tostão no bolso, mas, assim que foi reconhecido com a canção “Meu Bem”, em 1966, e depois com “A Praça”, no ano seguinte, sua carreira decolou.

“Meu pai, mais tarde, até virou amigo de Elis Regina, da Wanderléa. Mas sempre tem aquela tia-avó que teimava que aquilo não é lugar para cavalheiros”, diz o cantor, que mandou um extrato bancário pelo correio como resposta. “Parecia que a minha família vivia na corte de dom Pedro. Eles faziam reuniões com medo de que eu manchasse o nome deles”, conta.

O livro descreve a nobre origem do rapaz que falava inglês, pilotava aviões e conhecia bem os clássicos da literatura. O Príncipe, porém, passou por traumas. Primeiro, a conturbada separação de Aretuza, sua primeira mulher, quando teve de assumir o papel de pai e mãe dos filhos, além do romance problemático com a atriz Bia Seidl. “Encontrei a verdadeira felicidade com a minha amiga de infância, Cristina, com quem vivo até hoje”, comemora.

Von ainda passou um bom tempo longe da mídia por conta de uma doença rara: foi diagnosticado com neuropatia periférica com origem viral, que quase o levou a morte.

Mito. Enquanto Ronnie Von começava a decolar em sua carreira, Roberto Carlos já era o rei do pedaço, com a atração musical “Programa Jovem Guarda” (1965), na TV Record, que apresentava ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa. A principal concorrente da emissora, na época, era a TV Excelsior, que viu em Von uma chance de disputar a audiência do horário.

“Essa rivalidade foi mais criada por quem estava em volta de nós. A minha proposta musical era até outra, eu queria trazer uma música mais experimental. Mas não deixavam nem os convidados dele virem ao meu programa”, diz Von. “No período em que fiquei doente, ele (Roberto) foi um dos que passaram muito tempo na minha cabeceira”.

Sobre beleza, eles brincam até hoje que Roberto invejava a franja de Von. “Ele e Erasmo colocavam meias na cabeça para alisar os cabelos”, recorda o biografado.

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