Mostra traz obras de Abraham Palatnik e de alguns discípulos

Trabalhos de arte cinética poderão ser vistos a partir desta quarta na galeria do Minas Tênis Clube

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


Obra de Palatnik inspira tridimensionalidade e movimento
Sergio Araujo
Obra de Palatnik inspira tridimensionalidade e movimento

Ao lado de Marcel Duchamp (1887-1968), Alexander Calder (1898-1976) e Jean Tinguely (1925-1991), fulgura o nome de Abraham Palatnik, 86, como grande expoente da arte cinética. Apesar do nome nada brasileiro, o artista plástico natalense de origem judia e russa é responsável por quadros e instalações renomadas que exploram a movimento físico, brincam com luzes e com a tridimensionalidade.

Por sua trajetória, que prossegue ainda nos dias de hoje, Palatnik foi escolhido como o primeiro homenageado da série de exposições “Arte e Indústria” com a mostra “Cor, Luz e Movimento”, que entra cartaz a partir desta quarta e segue até o dia 28 de setembro, na Galeria de Arte do Minas Tênis Clube.

“Ele é referência do cinetismo e desempenha um papel muito representativo em toda a América Latina. Seu trabalho mostra, de uma forma peculiar, a passagem do moderno para o contemporâneo”, comenta o curador da exposição, Marcus Lontra.

Para exemplificar a abrangência do trabalho do homenageado foram selecionadas 12 obras do artista plástico pertencentes ao Museu do Inconsciente, no Rio de Janeiro. “As peças foram escolhidas com o objetivo de sintetizar as técnicas e suportes que o artista utilizou em toda sua carreira”, diz Lontra.

Porém, para demonstrar como o conjunto de peças de Palatnik afetam a produção visual atual, trabalhos de jovens artistas brasileiros também compõem a mostra. “O grande artista não é aquele que abre uma escola, mas que influencia outros profissionais. A sofisticação visual e o vigor de Palatinik inspiraram outros artistas e, depois de análise, reunimos obras de 14 nomes cujas peças dialogam, de alguma forma, com as do homenageado”, afirma Lontra.

Embora ainda esteja vivo (como se sabe, artistas plásticos tendem a ganhar mais reconhecimento depois de mortos), Palatnik tem o prestígio e admiração da atual geração, mas a exposição não deixa de ser uma forma de afirmá-lo como uma referência na área. “Assim como Ligia Clark e Amilcar de Castro, ele faz parte daqueles artistas que chamamos de ‘cama’, onde nos deitamos sempre que precisamos pesquisar e ter referências para os mais variados tipos de trabalhos”, opina Lontra.

Projeto. A exposição faz parte da série que estimula valorizar as relações entre atividades industriais e setor artístico. Em geral, as artes sofrem grande influência do segmento, principalmente a partir da Revolução Industrial. Começar com a linguagem que preza o movimento foi uma escolha, aos olhos do curador, eficaz para estabelecer essa relação. “Os trabalhos de Palatnik refletem a industrialização brasileira”, sintetiza Lontra.

Agenda

O quê. Exposição “Cor, Luz e Movimento”

Quando. A partir desta quarta até dia 28 de setembro. Terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h

Onde. Galeria de Arte do Minas Tênis Clube (rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

Quanto. Entrada franca

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