Defensoria Pública entra com recurso para anular liminar de despejo

Apesar do pedido ter sido protocolado nesta segunda-feira (11), Justiça ainda não o analisou

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Cidades - Belo Horizonte, Mg. Clima da ocupacao na Granja Werneck vesperas da desocupacao. Na foto: Ocupacao Rosa Leao. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 9.8.14
LEO FONTES / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte, Mg. Clima da ocupacao na Granja Werneck vesperas da desocupacao. Na foto: Ocupacao Rosa Leao. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 9.8.14

A Defensoria Pública entrou com um recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pedindo a suspensão da liminar de despejo das três ocupações da mata do Isidoro, na Granja Werneck, na região Norte de Belo Horizonte. A informação foi confirmada pelo órgão, que, juntamente com advogados de movimentos sociais, presta a assistência jurídica aos moradores. 

As ocupações Rosa Leão, Vitória e Esperança vivem na eminência de um despejo nas últimas semanas, sendo que a Polícia Militar (PM) chegou a afirmar que ela teria início nesta segunda-feira (11). Nesta manhã, houve uma reunião no Comando da PM entre moradores e autoridades, para discutir o destino deles após o cumprimento da ordem de despejo. Além disso, moradores estão acorrentados ao Palácio da Liberdade como forma de protesto.

Conforme a assessoria de imprensa do TJMG, os moradores entraram com o recurso nesta segunda, entretanto, o pedido ainda não foi apreciado pela Justiça. Ainda nesta tarde, o Ministério Público (MP) se reúne com moradores das ocupações, membros do movimento Brigadas Populares e com representantes da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal.

A reunião estava marcada para acontecer às 15h e, após o seu fim, uma coletiva de imprensa acontecerá no saguão do prédio do MP. O TEMPO tentou falar com a defensora pública responsável pelo caso, porém, ela estava fazendo um atendimento fora e não foi localizada pela assessoria do órgão. 

Tensão

A reportagem de O TEMPO esteve na ocupação Rosa Leão na manhã desta segunda-feira. Assim como nas ocuprações Vitória e Esperança, também instaladas no terreno da Granja Werneck, os moradores estão vivendo sob tensão. Equipes se revezam para fazer ronda na entrada da ocupação, temendo que a polícia invada o território. Barricadas estão sendo montadas para dificultar a entrada no local.

Moradora da Rosa Leão, Luciene Aparecida de Oliveira, de 41 anos, acredita que Deus pode fazer alguma coisa para mudar a situação. “É a única esperança”, diz. Ela conta que morava de aluguel, mas ganha um salário mínimo e o valor líquido que recebe mensalmente está em torno de R$ 490, quantia insuficiente para sustentar os quatro filhos. “Depois que mudei para a ocupação, consigo comer frango no domingo e comprar material escolar para o meu filho. Quero que ele tenha a educação que eu não tive”, afirma.