Petrobras prevê resolver débito com Eletrobras até setembro

A dívida se refere a fornecimento de óleo a todas as térmicas da Eletrobras, mais custos de transportes e tributos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse, durante teleconferência com analistas na manhã desta segunda (11), que espera para "este trimestre" a solução da dívida com a Eletrobrás, estimada em R$ 6,1 bilhões.

A dívida se refere a fornecimento de óleo a todas as térmicas da Eletrobras, mais custos de transportes e tributos. No fim de julho, a Petrobras cobrou o pagamento de R$ 850 milhões, sob ameaça de interrupção no fornecimento, o que acabou acontecendo.

As usinas térmicas da Eletrobras no Norte ficaram quatro dias sem receber óleo, entre 1º e 4 de agosto, quando, enfim, a Petrobras decidiu retomar a entrega. Duas térmicas do Norte tiveram de produzir menos energia do que o previsto devido ao menor estoque de combustível.

"Já houve pagamentos parciais e outros que estão para vir em decorrência de operações que a Eletrobras está fazendo na área financeira. Então, nossa perspectiva é de solução dessa questão no decorrer desse trimestre, de forma que a Petrobras possa seguir nesse fornecimento para o setor", disse Barbassa, sem revelar valores.

Na semana passada, a Eletrobras havia informado que pagaria R$ 452 milhões com recursos de empréstimo que havia obtido em julho com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil e estava em negociação com a Petrobras para pagamento dos outros R$ 398 milhões.

A dívida, segundo a Eletrobras, decorre de não repasses de recursos da CCC (Conta de Consumo de Combustível) pelo Tesouro. Essa conta é abastecida com recursos arrecadados por meio de encargos cobrados na conta de luz de todos os consumidores.

Dívida

Barbassa reafirmou as metas da Petrobras de redução de endividamento para o fim de 2015. Essas metas são 2,5 na relação entre dívida líquida e Ebitda (indicador de geração de caixa pela empresa), hoje em 3,92, e de 35% na relação entre dívida líquida e a soma dívida mais patrimônio líquido, hoje em 40%.

A dívida da Petrobras cresceu 9% em seis meses, de R$ 221,6 bilhões para R$ 241,3 bilhões, sob efeito da captação de recursos no exterior, no total de US$ 14 bilhões, e pagamento de juros da dívida.

A redução dos indicadores de endividamento é fundamental para que a Petrobras continue com a avaliação "grau de investimento" pelas agências de classificação de risco. Empresas com esta classificação são consideradas como de risco potencialmente baixo de dar calote e, portanto, pagam menos juros ao buscar financiamento.

Cessão onerosa

A Petrobras ainda não sabe quando exatamente, ainda este ano, vai desembolsar os R$ 2 bilhões que deve ao governo pelo repasse que a União fez à empresa do direito de explorar e produzir até 15 bilhões de barris adicionais em áreas já exploradas pela empresa no pré-sal da Bacia de Santos.

Chamada de "excedente de cessão onerosa", a negociação foi firmada em junho. Pelo negócio, a Petrobras comprometeu-se a pagar R$ 15 bilhões até 2018. A produção nas áreas é prevista para iniciar em 2021.

"Estamos negociando com o governo, e o cronograma que está sinalizado é que, até o final do ano, há previsão desse pagamento. Não posso precisar quando. As reuniões estão acontecendo em todos os órgãos do governo, mas não posso prever quando", disse o diretor de Exploração e Produção da empresa, José Formigli.

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