Rússia articula missão humanitária na Ucrânia

A UE ressaltou que "não deveria haver nenhum tipo de ação militar direta e unilateral sob o pretexto de uma ação humanitária ou operação da manutenção da paz"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O governo da Rússia articulou com as autoridades ucranianas uma missão humanitária com a Cruz Vermelha Internacional para prestar socorro à população do leste da Ucrânia, assegurou nesta segunda (11) o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

"Espero que esta ação humanitária se faça realidade muito em breve sob o auspício do Comitê Internacional de Cruz Vermelha. Pactuamos todos os detalhes com as autoridades da Ucrânia. Espero que nossos parceiros ocidentais não ponham impedimentos", ressaltou o chefe da diplomacia russa.

Lavrov também fez uma dura crítica contra as principais capitais do Ocidente pela interpretação do conflito no leste da Ucrânia e suas consequências para a população civil.

"Se é certo o que comunicaram os gabinetes de imprensa de Londres, Washington e Berlim (...) sobre o fato de seus líderes terem concordado que não há necessidade de ajuda humanitária no leste da Ucrânia porque já estão sendo tomadas todas as medidas, se trata de uma degradante mostra de cinismo", disse Lavrov.

O ministro russo pediu aos países ocidentais não barrarem a missão humanitária promovida pela Rússia.

O presidente Vladimir Putin disse na segunda-feira  (11) ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, que a Rússia estava em coordenação com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para o envio de ajuda humanitária à Ucrânia.

Barroso advertiu Putin contra a intervenção militar na Ucrânia, em conversas telefônicas na segunda-feira (11), disse a Comissão. "O presidente Barroso advertiu contra qualquer ação militar unilateral na Ucrânia, sob qualquer pretexto, inclusive humanitária", disse em um comunicado.

Pretexto 

A União Europeia (UE) deixou claro que só daria seu apoio a uma missão humanitária no leste da Ucrânia se esta recebesse o sinal verde de Kiev e estivesse liderada pelas Nações Unidas.

Neste aspecto, a UE ressaltou que "não deveria haver nenhum tipo de ação militar direta e unilateral sob o pretexto de uma ação humanitária ou operação da manutenção da paz".

Os líderes ocidentais, liderados pelos EUA, temem que a Rússia queira colocar suas tropas na região do conflito com o pretexto de enviar de comboios humanitários para a população das regiões de Donetsk e Lugansk, palco de combates cada vez mais sangrentos entre as forças de Kiev e os separatistas pró-Rússia.

A Rússia reuniu 45 mil soldados em sua fronteira com a Ucrânia, apoiados por um conjunto de equipamento pesado, incluindo tanques, sistemas de mísseis, aviões de combate e helicópteros de ataque, segundo o porta-voz militar ucraniano Andrei Lisenko disse na segunda-feira. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) reconheceu na semana passada que pelo menos 730 mil ucranianos fugiram de seu país para se refugiar na Rússia desde o início do conflito no leste da Ucrânia.

Outros 117 mil ucranianos se registraram como deslocados internos dentro do país, embora a Acnur acredite que o número real poderia ser maior. A União Europeia rebaixa o número de refugiados na Rússia a 168 mil ao contabilizar somente aqueles ucranianos que solicitaram algum grau de proteção oficial a Moscou.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave