Revelações avaliam momento e pedem transição planejada ao profissional

Jogadores mostram amadurecimento precoce e apontam caminhos para que jovens talentos não sejam "queimados"

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Marion 'transpira' em busca de um lugar entre os titulares de Levir Culpi
BRUNO CANTINI/ATLÉTICO
Marion 'transpira' em busca de um lugar entre os titulares de Levir Culpi

Em um meio extremamente competitivo, eles conseguiram transpor barreiras e chegaram ao tão sonhado time profissional. Mas as batalhas não param. Agora, cada um deles trava uma luta por espaço e ficam no aguardo de oportunidades para mostrar aos comandantes que estão aptos a irem além.  Com a experiência de quem esteve lá, nas categorias de base, até pouco tempo, recentes revelações do futebol mineiro também deram seu parecer sobre o momento do futebol nacional, principalmente sobre a formação de novos atletas e a escassez de talentos. Um destes exemplos é Fillipe Soutto, volante do Atlético. Ele despontou em 2010 e chegou a ser convocado por Ney Franco para o Mundial Sub-20 de 2011, na Colômbia, mas acabou fora do certame por conta de uma lesão. Hoje, aos 23 anos, o jogador mostra amadurecimento e aponta caminhos para evitar que jovens e promissores valores da base não sejam “queimados” no momento da transição para o time profissional. “O Brasil vive uma crise estrutural na formação de atletas e no planejamento para inserção destes jogadores no mercado. Os clubes deveriam priorizar o trabalho de base até a chegada ao profissional e não lançar os jovens considerados promessas de qualquer maneira, em casos emergenciais, como ocorre frequentemente. Como é feito na Europa, seria necessário criar os times B e campeonatos competitivos e organizados desta categoria. Desta forma, os garotos teriam a oportunidade de atuar, amadurecer, se desenvolver e atrair a atenção dos comandantes; assim, creio que estarão melhores preparados para assumir a posição no time A com mais naturalidade e sem o risco de ‘ser queimado’”, avalia Soutto. “Quando isso se tornasse uma constante, os clubes certamente gastariam menos contratando e apostando em medalhões e valorizando os ‘prata da casa’, explorando corretamente suas competências”, completa o volante, que chegou a recusar convocações para a seleção de base em prol do Atlético, que lutava contra o rebaixamento em 2011. Outro que compartilha da mesma opinião é o meia-atacante Marion, companheiro de Soutto no Atlético. O jogador, de 22 anos, ganhou suas primeiras oportunidades na equipe profissional nesta temporada. “O jogador que está em um time menor tem mais tranquilidade para subir, enquanto aquele que está em um time maior sofre muito mais pressão. Por isso, é preciso um pouco de paciência dos dirigentes, comissão técnica e também da torcida, porque isso pode queimar o jogador. Muitas vezes, o garoto tem apenas uma chance, porque a paciência é curta e não dão tempo para ele se desenvolver como profissional. Com isso, acho que perdemos muitos garotos com potencial”, pontua o meia-atacante.

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