Despejo é adiado e grupo se reúne para discutir destino dos moradores

Em nota, Polícia Militar informou que o cumprimento da ordem de reintegração de posse não será feito nesta segunda-feira, como estava previsto; autoridades vão se reunir nesta segunda-feira para falar sobre destino dos moradores

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Cidades - Belo Horizonte, Mg. Clima da ocupacao na Granja Werneck vesperas da desocupacao. Na foto: Ocupacao Rosa Leao. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 9.8.14
LEO FONTES / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte, Mg. Clima da ocupacao na Granja Werneck vesperas da desocupacao. Na foto: Ocupacao Rosa Leao. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 9.8.14

A operação de despejo dos moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, instaladas no terreno da Granja Werneck, também conhecido como “Mata do Isidoro”, na região Norte de Belo Horizonte, tem deixado os moradores da região apreensivos. Em nota, a Polícia Militar (PM) informou que não deve cumprir a ordem judicial que determina a reintegração de posse do terreno, porém, a corporação não informou a data em que a ação deve ocorrer.

Nesta segunda-feira (11), membros da ocupação vão se reunir representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil e da Polícia Militar vão se reunir às 10h, na sala de imprensa da PM.

Segundo o major Gilmar Luciano dos Santos, chefe da sala de imprensa e responsável por mediar a reunião desta segunda-feira, o encontro acontecerá para que a prefeitura explique como vai ficar a situação das famílias que vivem nas ocupações após o despejo. O planejamento inclui o retorno dos moradores que vieram do interior às suas cidades de origem e o destino das famílias que não têm para onde ir ou precisam de assistência médica, entre outros.

Tensão

A reportagem de O TEMPO esteve na ocupação Rosa Leão na manhã desta segunda-feira. Assim como nas ocuprações Vitória e Esperança, também instaladas no terreno da Granja Werneck, os moradores estão vivendo sob tensão. Equipes se revezam para fazer ronda na entrada da ocupação, temendo que a polícia invada o território. Barricadas estão sendo montadas para dificultar a entrada no local.

Moradora da Rosa Leão, Luciene Aparecida de Oliveira, de 41 anos, acredita que Deus pode fazer alguma coisa para mudar a situação. “É a única esperança”, diz. Ela conta que morava de aluguel, mas ganha um salário mínimo e o valor líquido que recebe mensalmente está em torno de R$ 490, quantia insuficiente para sustentar os quatro filhos. “Depois que mudei para a ocupação, consigo comer frango no domingo e comprar material escolar para o meu filho. Quero que ele tenha a educação que eu não tive”, afirma.  

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