Ambiente também é marcado por machismo e abusos, dizem alunos

iG Minas Gerais |

As vítimas de estupro em repúblicas de Ouro Preto garantem que o ambiente permissivo favorece os crimes. “Os estudantes de engenharia, principalmente, são muito machistas, homofóbicos. Não aceitam homossexuais, veem as mulheres como objeto. Ficam tão tecnicistas que se esquecem da humanidade. Não acho que é um problema de Ouro Preto, essas pessoas já chegam na cidade assim”, opinou uma das vítimas.

Para Nadini Tavares, o machismo é agravado nas repúblicas que congregam da “famigerada vida republicana”. “É um conjunto de costumes, regras e tradições. Há coisas positivas, como a tradição dos quadrinhos e o contato e apoio dos ex-alunos. Porém, o ônus é muito maior. Existe uma perpetuação de pensamento e de postura. O tempo passou, e a universidade federal não é mais elitizada como antes. Isso não é aceito pelos republicanos”, defende.

Nadini afirma que, em 2008, as repúblicas praticaram um ato contrário à 1ª Parada do Orgulho Gay em Ouro Preto. “Eles colocaram panos pretos nas plaquinhas durante o evento”, conta.

Professora do curso de Artes Cênicas da Ufop e integrante do coletivo feminista Ninfeias, Nina Caetano concorda que a conduta dos moradores de repúblicas muitas vezes favorece o machismo, os abusos e o preconceito. “A gente ouve relatos de que calouras são oferecidas para os rapazes durante os ‘sociais’”, denuncia. Ela diz que quem ocupa as repúblicas gratuitas “tem condição de pagar por moradia”. “Eles escolhem quem entra. Já teve caso de aluno falar ‘na minha república não entra bicha e também não entra pobre’”, afirma.

A Refop informa que “repudia qualquer tipo de preconceito e respeita a diversidade e a pluralidade de ideias”. Em nota, a associação informa que o estatuto das repúblicas prevê critérios como honestidade, civilidade, zelo pela casa e respeito aos moradores e suas diferenças. “Os alunos são instruídos a se engajarem com as demandas da sociedade e terem bom desempenho acadêmico”, afirma o texto. (LF)

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