Disputa interna é problema

Divisão entre grupos fica mais evidente no período de campanha eleitoral e prejudica candidatos

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |


Geraldo Alckmin recuou da tática Edualdo em SP
MARCELO S. CAMARGO
Geraldo Alckmin recuou da tática Edualdo em SP

Expandir o eleitorado e neutralizar o crescimento dos adversários pode parecer o suficiente para vencer uma eleição, ao menos na ótica dos números frios e das pesquisas de intenções de voto. No entanto, as três principais candidaturas à Presidência da República enfrentam mais um desafio para o pleito deste ano. Neutralizar ou, pelo menos, diminuir o efeito das disputas internas, que podem acabar afetando o desempenho dos candidatos nas urnas.

De fato, as campanhas dos principais postulantes ao Palácio do Planalto – Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) – têm ao menos uma “crise” para chamar de sua (veja quadro abaixo). Em todos os casos, os presidenciáveis tiveram que deslocar a atenção da agenda eleitoral para tratar de assuntos internos aos partidos.

No caso do PT, as disputas envolveram nomes da cúpula partidária. A turma da comunicação, por exemplo, não se entende sobre o tom do discurso de campanha e como devem tratar os adversários. Ex-ministro das Comunicações durante o governo Lula, Franklin Martins, adepto de um estilo mais agressivo e de maior enfrentamento, teve seu site (Muda Mais) desvinculado da campanha após publicar um texto hostil contra a CBF, depois da derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha. Franklin perdeu espaço após o episódio, que teria irritado até a presidente Dilma Rousseff.

Do lado do PSDB, a rixa entre mineiros e paulistas não diminuiu com a escolha de Aloysio Nunes para o cargo de vice de Aécio. Repercutiu mal entre os tucanos de Minas o incentivo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao chamado “Edualdo”, uma espécie de aliança entre ele e Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB. Em São Paulo, PSDB e PSB estão juntos na mesma chapa na disputa do governo. Até mesmo peças de campanha foram produzidas com o nome “Edualdo” e com as fotos de ambos, lado a lado.

Ao mesmo tempo, no PSB, desde que a ex-senadora Marina Silva resolveu se filiar ao partido e levar consigo a militância da Rede Sustentabilidade – partido idealizado por ela, que não conseguiu ser oficializado para as eleições –, há divergências ideológicas e programáticas entre os dois grupos. A divisão já é evidente nos palanques estaduais. Eduardo Campos vai sozinho nos Estados onde Marina não apoia o candidato escolhido, como em São Paulo.

Entenda

Detalhes. Questões como tom e estrutura da campanha presidencial são temas que alimentam o acirramento entre os vários segmentos internos aos grandes partidos, como PT, PSDB e PSB.

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