O pandeiro mágico e inovador de Túlio Araújo Percussionista mineiro lança segundo disco, “East”, influenciado pelo jazz oriental Jazz

Percussionista mineiro lança segundo disco, “East”, influenciado pelo jazz oriental

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Busca. Túlio Araújo descobriu em suas pesquisas que a raiz árabe do pandeiro é forte
pedro viotti/DIVULGAÇÃO
Busca. Túlio Araújo descobriu em suas pesquisas que a raiz árabe do pandeiro é forte

Túlio Araújo é desses instrumentistas inquietos. Percussor do Projeto Dobradura, que introduz o pandeiro como regente de arranjos de jazz, agora o percussionista mineiro vai além da própria inventividade. “East” (Independente), segundo disco solo do pandeirista, é completamente inspirado no Oriente Médio, unindo uma linguagem de compassos musicais complexos que se encaixam com expressividade e sutileza à raiz do pandeiro alegre brasileiro.

Figurinha carimbada das noites mineiras, Túlio Araújo buscou entender os caminhos que o pandeiro poderia percorrer, além do próprio jazz. Para isso, buscou inspiração nos pianistas Shai Maestro, de Israel, e Tigran Hamsyan, da Armênia, além do baixista israelense Avishai Cohen. “Durante toda a minha pesquisa em torno do pandeiro, descobri que sua raiz árabe é forte. Além disso, os sons orientais sempre fizeram parte das minhas preferências, então juntei as duas coisas, que acabaram combinando muito bem”, diz.

Se no disco anterior, “Manguêra” (2012), os arranjos que favoreciam a música brasileira foram compostos dentro de estúdio, com gravação ao vivo em um take só, “East” exigiu mais dedicação e menos espontaneidade – ainda que a experimentação esteja presente em todo o trabalho.

A produção musical do disco ficou a cargo do talentoso guitarrista Felipe Vilas Boas, de apenas 22 anos, que compôs seis das nove canções do álbum – as outras três faixas, “Luciene”, “Viena” e “Saara” são de Túlio Araújo. Com arranjos de compassos variados em uma mesma música, apesar de ser um álbum de difícil execução musical, a assimilação ao ouvinte é imediata. “Eu percebia alguns músicos tocando um baião de três por três, por exemplo, depois mudando a música para um compasso de nove por nove, só para complicar. No meu caso, a complicação faz parte da beleza das harmonias. Não é nada para ser erudito, não. É só a busca pelo som desconhecido”, atesta Túlio Araújo.

Apoiado pelos músicos Deangelo Silva (piano), Eneias Xavier (baixo), Wagner Souza (trompete), Sergio Danilo (clarinete), Cleber Alves e Breno Mendonca (ambos no saxofone), o disco ainda tem participação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) e da cantora paulistana Dani Gurgel, que interpreta a única música cantada, “Luciene”.

Abdicando da bateria no álbum, é o pandeiro que balanceia as doses de suingue do disco, faixa a faixa. Desde o piano melódico de “Trovoada”, passando pela percussão de “Jerusalém” e a cadência ao estilo Tom Jobim de “Viena”, o pandeiro mágico de Túlio Araújo consegue ser lento, frenético, paciente e muito inovador. “Não faz sentido tocar um instrumento para ficar limitado ao que ele faz. O que eu queria era viver sons que nunca ouvi antes e gostar dessa novidade toda. Acho que foi o que aconteceu”, define o músico.

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