Turcos participam de 1ª eleição direta para presidente

Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que há mais de uma década domina a política no país, é o favorito para conquistar o cargo e substituir Abdullah Gul num mandato de cinco anos

iG Minas Gerais | Da redação |

Os eleitores turcos vão às urnas neste domingo, 10, para eleger, pela primeira vez nos 91 anos de história do país, um presidente diretamente pelo voto. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que há mais de uma década domina a política no país, é o favorito para conquistar o cargo e substituir Abdullah Gul num mandato de cinco anos. Em seu terceiro mandato como primeiro-ministro pelo Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), legenda de raízes islâmicas, Erdogan tem sido uma figura polarizadora. Ele é fervorosamente apoiado por muitas pessoas que o veem como o homem que liderou a Turquia durante um período de prosperidade econômica. Mas seus críticos os veem como um líder cada vez mais autocrata com tendências a concentrar o poder e a impor suas visões religiosas e conservadoras num país fundado com fortes tradições seculares. Após uma dura campanha, Erdogan pareceu mais conciliatório em seu último discurso eleitoral, feito no sábado, no qual prometeu "deixar a velha Turquia para trás". "Este país de 77 milhões é nosso país, não há discriminação", declarou. "Todos nós somos donos deste país." Cerca de 53 milhões de pessoas estão aptas a votar. A maioria absoluta é necessária para o candidato vencer já no primeiro turno. Caso contrário, os dois candidatos mais votados disputarão um segundo turno em 24 de agosto. Erdogan, cujo partido venceu as eleições locais em março, com cerca de 43% dos votos, deve conquistar a presidência, embora ainda não esteja claro se ele conseguirá isso no primeiro turno. Regras do AKP impediram Erdogan de assumir um novo mandato como primeiro-ministro. Os presidentes turcos costumavam ser eleitos pelo Parlamento, mas o governo de Erdogan aprovou uma emenda constitucional em 2007 alterando o procedimento para o voto popular. A presidência é um cargo basicamente cerimonial, mas Erdogan prometeu transformá-lo numa posição poderosa, algo que seus detratores indicam como prova de que ele tende a arrebatar o poder para si mesmo. Mas ele afirma que vai ativar os poderes inativos do cargo - um legado do golpe de 1980 - que incluem a capacidade de convocar o Parlamento e de convocar e presidir reuniões de gabinete. O principal adversário de Erdogan é Ekmeleddin Ihsanoglu, um acadêmico de 70 anos que foi líder da Organização para a Cooperação Islâmica e que é apoiado por vários partidos de oposição, dentre eles os dois mais importantes: o partido que defende o secularismo e o nacionalista. Ihsanoglu, cuja campanha foi focada numa mensagem de união, disse que algumas irregularidades haviam sido relatadas nas primeiras horas de votação neste domingo, quando alguns eleitores fotografaram seus votos com seus telefones celulares. O problema desta prática é que eles poderão usar as imagens para provar em que partido votaram e receber favores em troca. Uma reclamação oficial será aberta, afirmou Ihsanoglu. "Os olhos de todo o mundo estão sobre nós", disse ele, após votar em Istambul. "A Turquia está se esforçando para se tornar uma democracia de primeira classe...e esperamos que a Turquia chegue a isso hoje." O terceiro candidato presidencial é o político curdo Selahattin Demirtas, de 41 anos, estrela ascendente da política da minoria curda.

Agência Estado

Leia tudo sobre: turcoseleições