Alexandre Gallo, ele tem a missão de conduzir o Brasil rumo ao inédito

Convicção no planejamento, na unificação tática e no comprometimento dos atletas faz treinador crer que o trabalho poderá render frutos dourados

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Alexandre Gallo terá a missão de comandar a seleção no torneio internacional
CBF/Divulgação
Alexandre Gallo terá a missão de comandar a seleção no torneio internacional

Alexandre Gallo, 47 anos, ex-jogador de futebol e técnico desde 2003. Está sobre ele a responsabilidade de trazer o inédito ouro olímpico para o futebol brasileiro. Mais do que isto, está sobre ele a missão de implantar uma nova mentalidade nas categorias de base da seleção pentacampeã mundial. Solícito, o comandante atendeu a reportagem de O TEMPO logo após desembarcar em São Paulo. Ao lado do fiel escudeiro Maurício Copertino, Gallo retornava da Hungria, país que sediou o Campeonato Europeu Sub-19, torneio este vencido pela Alemanha, a grande vitrine do futebol na atualidade.

Na bagagem, muito aprendizado e a certeza de que atitudes precisarão ser tomadas em um curto espaço de tempo. O Rio é logo ali, mas o Sul-Americano Sub-20 e o Campeonato Mundial na Nova Zelândia, competições que serão disputadas no próximo ano, também estão batendo na porta. Em um país com dimensões continentais como o Brasil, Gallo está ciente de que nunca poderá desenvolver um trabalho tão aprofundado quanto o praticado no futebol europeu. No entanto, a convicção do treinador no planejamento, na unificação tática e no comprometimento dos atletas o faz crer que, apesar de todas as dificuldades, o trabalho poderá render frutos dourados.

Qual foi sua avaliação da vitória alemã sobre Portugal na final do Europeu Sub-19?

Acompanhamos os jogos finais destas equipes e foram muitos bons. Portugal tem um bom time, mas a seleção alemã comandou toda a partida. Eles (alemães) valorizam muito a posse de bola e quando tiveram a chance de marcar, marcaram. Realmente, possuem um grande time e esta geração irá dar trabalho.

Além de acompanhar o trabalho desenvolvido no futebol europeu, qual foi sua missão como observador deste torneio?

Eu e o Maurício (Copertino) fomos até a Hungria para fazer o mapeamento, realmente estudar os nossos possíveis adversários no Mundial Sub-20 da Nova Zelândia. Ainda precisamos nos classificar no Sul-Americano do ano que vem, mas, se Deus quiser, vamos disputar o Mundial. Estamos trabalhando muito forte para que isto aconteça.

Em sua visão, o Brasil poderá executar um trabalho com a base próximo ao praticado em países como a Alemanha, a grande sensação do momento?

São situações bem distintas. Quer um exemplo? Na Suíça, a federação local dividiu o país em 13 regiões. Em cada um destes locais, existem treinadores específicos para formar os jovens jogadores. Os atletas ficam um período de tempo vivenciando a experiência de estar na seleção, além de aprender a metodologia tática de jogo da equipe. No Brasil, é quase impossível você fazer isto. Como é que eu vou tirar um atleta do Cruzeiro para deixá-lo só com a seleção. Temos as nossas características, precisamos nos adequar à nossa realidade.

Você terá a missão de comandar a seleção nos Jogos Olímpicos do Rio. Como você avalia o trabalho executado até aqui? E como foi seu contato com o Dunga, novo treinador da seleção principal?

Isto de comandar a equipe nas Olimpíadas já estava acertado desde as minhas primeiras conversas com o Marin (presidente da CBF). Já fazia parte do planejamento. Acredito que estamos fazendo um grande trabalho. Estamos sempre buscando dar oportunidades a todos os jogadores, trabalhando mesmo esta filosofia de seleção. Os frutos estão acontecendo. Desde que assumi a seleção Sub-20, nós ganhamos por duas vezes o Torneio de Toulon, na França, e nossos números mostram 20 vitórias e apenas três empates nos últimos 23 jogos. Espero fazer um trabalho integrado com o Dunga. Estamos todos empenhados nesta filosofia e não paramos. Agora, eu já estou completamente voltado ao Torneio de Cotif, na Espanha, mais uma chance para eu testar estes jogadores.

Nos últimos anos, temos visto um aproveitamento mínimo dos jogadores que passaram pelas seleções de base na equipe principal? A unificação que você tanto fala passa por este quesito?

Temos exemplo de atletas que estão jogando em alto rendimento e que nunca foram chamados para a seleção sub-20 ou principal. Nunca aconteceu esta unificação. Queremos levar estes jogadores para a seleção olímpica/principal. Formar uma base sólida para as outras competições. Para se ter idéia, algumas seleções que estiveram na Copa deste ano utilizaram aproximadamente 40% do time que participou das Olimpíadas.

E como está a questão dos jogadores brasileiros que estão sendo convocados para outras seleções? Como é feito este trabalho de captação de nomes?

Hoje, nós temos uma lista com o nome de todos os jovens jogadores brasileiros que estão nos clubes de Série A do futebol europeu. Estamos acompanhando o desenvolvimento destes atletas e vendo os que são considerados expoentes. Não queremos na seleção qualquer jogador, mas sim os que estão se destacando e que possuem interesse de estar conosco. A partir daí fazemos o contato, mas tendo a certeza de que estes jogadores, assim como os outros, passarão por nossa avaliação, principalmente no modo como eles irão se comportar defendendo a camisa da seleção brasileira. Estamos monitorando. No momento certo, cada um terá sua chance.

No Europeu Sub-19, você chegou a conversar com Marcos Lopes e Raphael Guzzo, brasileiros que são destaques da seleção portuguesa? Eles poderão ser convocados para defender o Brasil futuramente?

Sim, eu entrei em contato com eles. Tínhamos até a intenção de convocar o Marcos Lopes para o Torneio de Toulon, mas ele já havia sido chamado pela seleção portuguesa para disputar o Europeu. Eles se mostraram interessados no convite, assim como seus responsáveis. Vamos agora ver como será o desenvolvimento deles nos próximos meses. Ligaremos novamente e caso eles se mostrem disponíveis, claro que poderão ser chamados para defender a seleção. 

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