Carisma não se empresta, mas “simpatia” se constrói

Cientistas políticos e marqueteiros reconhecem que falta “poção mágica” a candidatos

iG Minas Gerais | Raquel Ayres |

Aécio é considerado carismático, mas só para um tipo de eleitor
Orlando Brito/PSDB - 30.6.2014
Aécio é considerado carismático, mas só para um tipo de eleitor

A dois meses das eleições, quem são os candidatos à Presidência da República que “ganham os corações” e levam os eleitores ao voto? O chamado “carisma” parece estar distante dos integrantes da cena política atual, na avaliação de cientistas políticos e marqueteiros.

Entendido pelos especialistas como a soma de simpatia, animação, originalidade, educação e charme, o carisma não é resultado de treinamento ou experiência, nem é condição determinante para atrair votos. Mesmo sem ele, é possível conquistar o eleitor com outras “qualidades”. É aí que entra o trabalho dos marqueteiros e consultores de imagem pessoal. O professor de ciências políticas da PUC Minas Carlos Vasconcelos assinala que o marketing tenta, por meio de técnicas, construir imagens que podem ser verdadeiras ou não. Mas para ele, conferir a alguém carisma é algo de eficácia limitada. “Não se constrói uma imagem sem fundamentação. O candidato tem que ter empatia com o eleitor e defender propostas de interesse da população”, pondera. Com mais de 25 anos de experiência em marketing político, o publicitário Carlos Alberto Soares diz que carisma é a “poção mágica”. Ele cita o ex-presidente Lula como o político mais carismático dos últimos tempos. Soares enfatiza que tal qualidade é intransferível, ou seja, Lula não seria capaz de “emprestar” seu carisma, por exemplo, para a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Mas a simpatia é uma qualidade que pode ser treinada, desenvolvida como técnica de comunicação, segundo o marqueteiro. Carlos Alberto Soares cita que voz, gestual e raciocínio lógico são os três pilares para “conferir carisma” a uma personalidade. Para ele, o candidato ao Senado José Serra (PSDB) é um “sem-carisma” nato, mas foi treinado da melhor maneira possível. O marqueteiro compara os candidatos aos jogadores de futebol. “Os jogadores técnicos podem jogar muito bem. Mas os craques, aqueles que têm o algo mais, serão capazes de encantar. Para quem não tem carisma, resta a disciplina para o treinamento”, define Carlos Alberto Soares.

História Líder. Um dos líderes mais carismáticos do mundo, o pastor norte-americano Martin Luther King cunhou, há 50 anos, a frase “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”), que entrou para a história.

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