Três roqueiros transformaram a paixão em um negócio rentável

Os empreendimentos desconstruíram pecha de lugar de confusão de casas do gênero

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Sobe o som. Sergio Flecha, Carlos Velloso e Gustavo Jacob administram três badaladas casas onde o rock and roll reina absoluto
Lincon Zarbietti / O Tempo
Sobe o som. Sergio Flecha, Carlos Velloso e Gustavo Jacob administram três badaladas casas onde o rock and roll reina absoluto

Pelo menos em Belo Horizonte, o rock não morreu e o sonho não acabou. O Circuito do Rock, formado por três estabelecimentos, e que nasceu com o Jack Rock Bar há 11 anos, fez explodir o nicho das casas do gênero e reavivou a cena roqueira da capital. A ideia de três sócios, surgida na contramão da tendência da cidade, que apostava, em 2003, em boates e música eletrônica, atrai, atualmente, 18 mil pessoas por mês para assistir um cartel de 84 bandas.  

Apesar do cenário, aparentemente desfavorável, o psicólogo Gustavo Jacob, 41, seu colega de graduação, Carlos Veloso, 40, e o, hoje, estudante de administração Sérgio Flecha, 38, apostaram na paixão pelo rock'n'roll para montar o negócio de suas vidas. Nem eles imaginavam que o gênero pudesse ter tantos fãs em Belo Horizonte.

A história começou quando os amigos roqueiros decidiram investir no antigo bar The Jack, localizado na avenida do Contorno e que tinha motoqueiros como o principal público. Inicialmente, de acordo com Gustavo Jacob, com investimento mínimo, eles montaram uma casa para os amantes do rock. A aposta funcionou e o dinheiro que os três tinham guardado para concretizar a compra do imóvel nem foi usado. O movimento do local pagou os primeiros custos.

Dois anos depois nasceu o Lord Pub, no bairro São Pedro. A clientela continuou crescendo e em 2011 veio o caçula Circus Rock Bar, no valorizado bairro de Lourdes. A trinca se notabilizou como o Circuito do Rock, que atrai 18 mil pessoas por mês, 84 bandas e emprega 120 pessoas.

De acordo com Gustavo Jacob, o circuito foi responsável por redefinir a cena roqueira de Belo Horizonte. “Existia o preconceito de que casa de rock era confusão, aquela coisa dos filmes. Mas investimos em segurança e em qualidade. Antes da gente, os roqueiros se dividiam em tribos e conseguimos juntá-las. Também atraimos muitas mulheres. Democratizamos o rock”, destacou.

Além do público, o circuito reaqueceu o mercado de bandas. “Era comum os locais terem uma banda por noite, mas nós temos duas. Muitos grupos surgiram porque passaram a ter lugar para tocar. Além disso, estúdios de gravação foram montados”, relatou um dos três sócios do circuito, que cobra de R$ 12 a R$ 30 por entrada no mundo da música.

Ouvido

Critério. A bandas são escolhidas por um produtor musical e pelos sócios. Por noite, os grupo ganham de R$ 1.300 a R$ 2.000. As que mais atraem público tocam Beatles, AC/DC e Led Zeppelin.

No palco Atrações. Além de bandas da cidade, o Circuito do Rock conseguiu a presença de nomes internacionais, como o vocalista e o guitarrista da famosa banda americana Mr Big, Eric Martin e Paul Gilbert, e do ex-guitarrista e ex-vocalista, Richie Kotzen da também norte-americana Poison. Brasil. Artistas de projeção nacional como Nasi, do Ira, Tia Nastácia, 14 Bis e Raimundos também já foram atrações

Circuito quer fomentar mais artistas do rock O desejo dos investidores é transformar o Circuito do Rock em referência como casas de show famosas de Estados Unidos e Inglaterra, como CGGB, Whisky a Go Go, Hacienda e Cavern, que foram responsáveis por revelar lendas da música. Depois da expansão do Jack Rock Bar em 2013, o ganho de espaço não é prioridade, mas sim o conceito das casas. De acordo com Gustavo Jacob, o sonho dos sócios é cumprir uma “missão social”. “Digo que temos uma missão social. Que é fazer mais pela cena musical. Já temos bandas, que junto com os covers, tocam músicas autorais, mas nós queremos promover mais o trabalho próprio dos grupos”, reiterou. Jacob também explicou que o surgimento do circuito do rock se tornou um norte para outras casas, não só em BH. “Depois que nascemos, outros lugares voltados para o rock também surgiram em BH. Muitas fecharam e outras continuam sendo abertas. E tem gente, devido ao sucesso que conseguimos, que querem levar a ideia para outras cidades. Vou receber uma pessoa que quer abrir uma casa de rock em Montes Claros.”

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