Favelização da cidade cresce

Investimentos escassos em infraestrutura de ocupações faz morador se organizar informalmente

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Região Norte. Aposentado deixou casa no bairro Jaqueline para viver na ocupação Rosa Leão, em moradia de um cômodo, com neto
douglas magno
Região Norte. Aposentado deixou casa no bairro Jaqueline para viver na ocupação Rosa Leão, em moradia de um cômodo, com neto

O poder público enfrenta dificuldades em oferecer melhora na qualidade das habitações já existentes em Minas e na capital – e não somente em fornecer moradias em número suficiente para a população, segundo arquitetos e urbanistas. Muitos dos loteamentos irregulares que surgem embaixo de pontes e de viadutos e também em lotes na região metropolitana não são reconhecidos pelo Executivo. Essa falta de acompanhamento provoca, de acordo com especialistas, consequente favelização na cidade.  

“Não quero legitimar nem criminalizar essas ocupações, mas é preciso implantar programas emergenciais para estruturar esses locais do ponto de vista prático”, avalia o arquiteto e urbanista Sérgio Myssior.

Um dos motivos para a proliferação de moradias precárias é a dificuldade de morar e trabalhar em uma mesma região. Apesar de as oportunidades ainda estarem concentradas em Belo Horizonte, para famílias de baixa renda é difícil se estabelecer em alguns bairros e arcar com despesas de aluguel.

“Nos últimos 40 anos, tivemos uma intensa movimentação do processo de concentração da maior parte da população no eixo urbano das grandes cidades. Essas pessoas estão desprovidas de uma estrutura básica – como saneamento – e de aparato de segurança que garanta o mínimo de qualidade de vida”, afirma Myssior. “Desprovida de oportunidades e infraestrutura, a população se organiza de maneira formal e informal nas periferias”.

É o caso do aposentado José Domingos dos Santos, 68, que foi do bairro Jaqueline, na região Norte da capital, para a ocupação Rosa Leão, no mesmo bairro. Lá, de maneira irregular, ele construiu um barraco de apenas um cômodo, feito de madeira e tijolos. O banheiro ainda não está terminado, e o idoso divide a casa, pequena, com um neto de 17 anos. Ambos vivem com a aposentadoria de um salário mínimo que Santos recebe da Previdência.

Conselheira do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB-MG), Cláudia Pires destaca que a situação das regiões tomadas por moradias precárias se agrava na medida em que o poder público se nega a fazer intervenções e a levar infraestrutura para os locais. “A situação é grave, porque há conflitos, pessoas ocupando áreas verdes, famílias morando em situação de risco, às margens do Anel Rodoviário, por exemplo. Se o poder público não toma providência, a tendência é de piora”, afirma.

Resposta. O Ministério das Cidades informou que desde 2009 foram construídas 206.095 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida – 8.471 somente na capital.

Mais de R$ 22 bilhões foram investidos em Minas por meio do programa.

Rosa Leão

População. Na ocupação Rosa Leão, 2.638 famílias se instalaram no terreno que, segundo eles, estava sem uso havia cerca de 30 anos. A maioria das moradias são feitas de madeira e têm um cômodo.

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