Sem comprovar endereço, cidadão perde benefícios

Paciente de hemodiálise há 21 anos, ela paga passagem de ônibus três vezes por semana para chegar à unidade de saúde

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

A moradia precária e improvisada, em loteamentos ou embaixo de viadutos, implica diversos prejuízos. É o caso da atendente de lanchonete Liliane Pires, 24, que deixou de receber o benefício mensal do programa Bolsa Família, do governo federal, porque não conseguiu comprovar residência fixa.  

“Eu recebia R$ 134 do Bolsa Família todo mês, mas, como não tinha comprovante de endereço para mostrar a eles, o benefício foi cortado”, conta Liliane, que ganha R$ 724 como atendente de lanchonete. Há um ano e meio, a jovem mora na ocupação Rosa Leão, na comunidade Zilah Spósito, no bairro Jaqueline, na região Norte da capital, com três filhos pequenos.

Também porque não conseguiu comprovar residência fixa, a aposentada Idailde Arcanjo de Medeiros, 52, perdeu o transporte gratuito que tinha para fazer tratamento de saúde na região hospitalar da capital. Paciente de hemodiálise há 21 anos, ela paga passagem de ônibus três vezes por semana para chegar à unidade de saúde.

Crítica. Assessor da Comissão Pastoral da Terra – ligada à Igreja Católica –, frei Gilvander Luís Moreira atribui os problemas à “política habitacional pífia” e à especulação imobiliária, que aumenta o valor dos aluguéis. “Enquanto não houver diálogo com eles (o poder público), as ocupações vão continuar aumentando”, disse Moreira. 

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