“Temos as nossas próprias características, o que precisamos fazer é nos adequar à nossa realidade”

Alexandre Gallo Ex-jogador técnico da seleção brasileira sub-20G

iG Minas Gerais |

Na sua visão, o Brasil pode executar um trabalho com a base, próximo ao praticado em países como a Alemanha, a grande sensação do momento?  

São situações bem distintas. Quer um exemplo? Na Suíça, a federação local dividiu o país em 13 regiões. Em cada um desses locais, existem treinadores específicos para formar os jovens jogadores. Os atletas ficam um período de tempo vivenciando a experiência de estar na seleção, além de aprender a metodologia tática de jogo da equipe. No Brasil, é quase impossível você fazer isso. Como é que eu vou tirar um atleta do Cruzeiro para deixá-lo só com a seleção. Então, na Europa, é tudo diferente. Temos as nossas próprias características, o que precisamos fazer é nos adequar à nossa realidade.

Você terá a missão de comandar a seleção nos Jogos Olímpicos do Rio. Como avalia o trabalho executado até aqui? E como foi seu contato com o Dunga, novo treinador da seleção principal?

Isto de comandar a equipe nas Olimpíadas já estava acertado desde as minhas primeiras conversas com o Marin (presidente da CBF). Já fazia parte do planejamento. Acredito que estamos fazendo um grande trabalho. Estamos sempre buscando dar oportunidades a todos os jogadores, trabalhando mesmo essa filosofia de seleção. Os frutos estão acontecendo. Desde que assumi a seleção sub-20, nós ganhamos por duas vezes o Torneio de Toulon, na França, e nossos números mostram 20 vitórias e apenas três empates nos últimos 23 jogos. Espero fazer um trabalho integrado com o Dunga. Estamos todos empenhados nessa filosofia e não paramos. Agora, eu já estou completamente voltado ao Torneio de Cotif, na Espanha, mais uma chance para eu testar estes jogadores.

Nos últimos anos, temos visto um aproveitamento mínimo dos jogadores que passaram pelas seleções de base na seleção principal; a unificação de que você tanto fala passa por esse quesito?

Temos exemplos de atletas que estão jogando em alto rendimento, mas que nunca foram chamados para a seleção sub-20 ou a principal. Nunca aconteceu essa unificação. Queremos levar esses jogadores para a seleção olímpica/principal. Formar uma base sólida para as outras competições. Para se ter ideia, algumas seleções que estiveram na Copa deste ano utilizaram aproximadamente 40% do time que participou da última Olimpíada.

E como está a questão dos jogadores brasileiros que estão sendo convocados para outras seleções? Como é feito esse trabalho de captação?

Hoje, nós temos uma lista com o nome de todos os jovens jogadores brasileiros que estão nos clubes de Série A do futebol europeu. Estamos acompanhando o desenvolvimento desses atletas e vendo os que são considerados expoentes. Não queremos na seleção qualquer jogador, mas sim os que estão se destacando e que possuem interesse de estar conosco. A partir daí fazemos o contato, mas tendo a certeza de que esses jogadores, assim como os outros, passarão por nossa avaliação, principalmente no modo como eles irão se comportar defendendo a camisa da seleção brasileira. Estamos monitorando. No momento certo, cada um terá sua chance.

Além de acompanhar o trabalho desenvolvido no futebol europeu, qual foi sua missão como observador desse torneio sub-19, a que você assistiu na Hungria?

Eu e o Maurício (Copertino) fomos até a Hungria para fazer o mapeamento, realmente estudar os nossos possíveis adversários no Mundial sub-20 da Nova Zelândia. Ainda precisamos nos classificar no Sul-Americano do ano que vem, mas, se Deus quiser, vamos disputar o Mundial. Estamos trabalhando muito forte para que isto aconteça.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave