Está tudo fora do lugar

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O atual sistema tático, muito usado em todo o mundo, com um meia de cada lado e mais outro recuado, pelo centro, deixa o centroavante isolado. Se ele não se mexer, contra um forte adversário, não pega na bola, como ocorreu com Fred, na Copa. Hoje, são poucas as duplas de atacantes. Muitos treinadores têm escalado um meia ofensivo, habilidoso, na função de centroavante. Para funcionar bem, é necessário que os outros meias entrem na área e façam gols. O tranquilo Marcelo Oliveira, às vezes, perde a paciência e troca o típico centroavante Marcelo Moreno por Ricardo Goulart. Não resolve, porque Goulart, um jogador importantíssimo, perde sua principal qualidade, que é a chegada de trás, para finalizar. Nunca achei que Pato se tornaria um craque, mas ele deveria ser hoje muito melhor. Um dos motivos é que os técnicos italianos e brasileiros decretaram que ele não é um centroavante, como se, para jogar nessa posição, tivesse que ser um Marcelo Moreno, um Fred. Pato passou a atuar pelos lados ou mais recuado. Se enrola com a bola. Ele perdeu sua principal qualidade de centroavante, a de receber a bola na frente. Romário e Ronaldo deitaram e rolaram na Europa. Quando jogavam, já era comum os zagueiros atuarem adiantados. Hoje, mais ainda. Isso torna o time compacto, com as linhas de atacantes, armadores e zagueiros próximas, o que diminui os espaços e dificulta a troca de passes do adversário. Por outro lado, há mais espaço nas costas dos defensores. Romário e Ronaldo recebiam a bola nas costas dos zagueiros e chegavam antes do goleiro, mesmo se fosse um Neuer. O Real Madrid ganhou do Bayern da mesma forma. O futebol brasileiro precisa de profundas transformações estruturais e de ampla reformulação do calendário. Tudo tem de caminhar junto. O perigo de mudar é ficar pior. Já surgiram até propostas de voltar o passe preso dos atletas aos clubes. Nada mais absurdo, além de inconstitucional. No campo, é necessário mudar a maneira de jogar e a formação de atletas. Além de dezenas de detalhes técnicos e táticos, o futebol brasileiro precisa se libertar dos fantasmas do passado e das ideias de que tudo que um dia deu certo deveria ser repetido. O futebol e o mundo mudaram. Temos de jogar o futebol do presente e acrescentar, recuperar, pequenos fragmentos que se perderam com o tempo. Caro Mano Menezes, há 15 anos, desde quando comecei a escrever, acho ruim o futebol que se joga no Brasil. A Copa não mudou em nada o que penso. Gilmar Rinaldi, diretor das seleções brasileiras, disse, no Bem Amigos!, um programa de amigos, que, junto com Dunga, vai viajar para conversar com pessoas de referência técnica no futebol, como o holandês Guus Hiddink. Gilmar não se lembrava do nome dele e foi ajudado por Belletti, que foi quem o indicou. Está tudo no lugar errado e com as pessoas erradas.

Atlético Repito, o Atlético é um bom modelo do estilo do futebol que se joga hoje no Brasil, sem meio-campistas. O time tem dois volantes que marcam muito e três meias que atuam próximos ao centroavante. Ronaldinho e, agora, Guilherme são habilidosos e têm um ótimo último passe. São meias-atacantes. Não são organizadores. Isso já acontecia na época de Cuca e é o padrão da maioria dos times brasileiros. Isso não significa que o Atlético não tenha um bom time nem excelentes jogadores. Alemanha e a Espanha, as duas últimas campeãs do mundo, ao contrário, se destacaram por terem brilhantes armadores, que atuam de uma intermediária à outra e que gostam de trocar passes e de ficar com a bola. Esses grandes armadores desapareceram do futebol brasileiro.

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