O interesse comercial e a possibilidade de experimentar

Essa realidade permite que a emissora carioca faça experimentações

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Uma razão que talvez fizesse a Rede Globo, maior produtora de novelas do país, reformular com mais rapidez os modelos de novelas seria a perda de anunciantes.  

Contudo, mesmo com os índices baixos de audiência, a reposta comercial é ainda satisfatória. “As novelas continuam sendo, ao lado do jornalismo, a maior fonte de renda da emissora. Isso porque, mesmo que haja uma queda, os índices apresentados são muito maiores que os dos concorrentes”, comenta o colunista de TV, Flávio Ricco.

A concorrência nesse segmento no Brasil, de fato, é quase inexistente. A Record, após conquistar algum reconhecimento na teledramaturgia em anos passados, hoje tem na grade apenas duas novelas; “José do Egito” e “Vitória”. “‘Vitória’ perde (em audiência) para reprise de novela mexicana no SBT. Isso significa que tem problemas sérios”, diz o especialista Nelson Xavier sobre a qualidade da novela da TV do bispo Edir Macedo. “Já ‘Chiquititas’ (SBT) conta com um nicho muito próprio, não pode ser considerada concorrente de novelas globais”.

Essa realidade permite que a emissora carioca faça experimentações. “Esse relativo desapego à audiência dá à Globo prestígio. As minisséries são exemplo disso. Muito mais caras que as telenovelas, elas são sempre a vanguarda da estética televisual. No caso das telenovelas, ‘Meu Pedacinho de Chão’, por exemplo, registrou uma audiência baixa, mas foi considerada um êxito do ponto de vista da crítica especializada, principalmente pela parte visual”, comenta o professor e doutor em semiótica pela USP Conrado Mendes. Ele completa: “Essa possibilidade permite à Globo manter um capital simbólico de a emissora que mais faz experimentações no campo da teledramaturgia no Brasil”.

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