Quebra-cabeça psicológico

Em “Império”, de Aguinaldo Silvam, Lília Cabral foca nos dilemas internos da vilã humana Maria Marta

iG Minas Gerais | Caroline Borges |

Dúbia. Atriz diz que Maria Marta está longe de ser uma vilã clássica, pois é um ser humano enfraquecido
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Dúbia. Atriz diz que Maria Marta está longe de ser uma vilã clássica, pois é um ser humano enfraquecido

A serenidade é um dos traços mais marcantes da personalidade de Lília Cabral. De jeito manso e fala tranquila, a atriz nem parece dar vida à fria e calculista Maria Marta, de “Império”, da Globo. Após alternar os clássicos postos de vilã, como em “Viver a Vida”, e heroína, como em “Fina Estampa” e “Saramandaia”, ela comemora a oportunidade de encarnar uma personagem dúbia, com diversos complexos humanos e que foge totalmente do lugar-comum. “É um papel que está longe do maniqueísmo e do estereótipo da vilã clássica. É um ser humano enfraquecido. Há muitas vertentes artísticas para explorar e trabalhar”, afirma ela, que acredita que o papel de vilã seja mais desgastante para o intérprete. “Tem de ser crível e isso é muito complicado. A gente não acorda, calça um sapato e sai com uma arma em punho para matar alguém”, completa, aos risos.

Na trama do autor Aguinaldo Silva, a atriz vive uma socialite falida, que encontra no casamento inesperado com José Alfredo, interpretado por Alexandre Nero, a chance de retomar seu status social e sua fortuna. Ao longo dos anos, a personagem alimenta um grande amor pelo marido, mesmo sabendo que o relacionamento entre os dois enfraqueceu com o tempo. Ardilosa e inteligente, ela faz de tudo para defender seus filhos, em especial José Pedro, de Caio Blat. Por isso, não hesita em guerrear com o comendador pelo controle da empresa da família. “A trama está muito atrelada a uma disputa pelo poder. É ganância mesmo. Ela gosta de ostentar o padrão de vida que o dinheiro proporciona. É uma mulher fina e controladora. Tem atitudes agressivas, cruéis e maldosas”, aponta.

Figurino elegante. Inclusive, o figurino sóbrio e elegante da personagem foi um dos principais pontos de partida de Lília na hora de compor a personagem. A caracterização de Maria Marta foi essencial para a atriz compreender os dilemas da falida aristocrata. “É uma personagem muito distante de mim. Através das roupas de grife e bem arrumadas, dá para perceber esse desejo de ostentação e ambição”, ressalta.

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