De olho na estética

Diretores de novelas começam a pensar na fotografia, iluminação, efeitos, figurinos, dentre outros fatores, até seis meses antes da estreia

iG Minas Gerais | Geraldo Bessa |

Afonso Carlos/CZN/Divulgação
undefined

A base de qualquer produção de TV é o texto. No entanto, com a sinopse e os primeiros capítulos em mãos, fica a cargo do diretor um dos pontos mais importantes da novela: a estética. Ou seja, como o folhetim será apresentado ao público. Inúmeros detalhes compõem a imagem que chega à casa do espectador, como fotografia, iluminação, efeitos visuais, arte, cenografia, edição, movimento de câmara, caracterização e figurino. Um trabalho de pesquisa, referências e experimentações que começa de quatro a seis meses antes da estreia. “É o tom da história que molda a cara do produto. Se for de época, precisamos de uma luz especial; se for futurista, é possível exagerar um pouco; se for naturalista, a gente corre atrás do cotidiano. Como diretor, preciso ouvir minha equipe e ser objetivo nas decisões”, explica Ricardo Waddington, responsável por “Boogie Oogie”, da Rede Globo.

Dentro da emissora, Waddington é reconhecido pela qualidade estética das produções que levam sua assinatura. Nos últimos dois anos, ele passou pela visão exagerada de subúrbio de “Avenida Brasil”, contou a história de “Joia Rara” com a elegância coerente aos anos 40, misturou o verde da floresta com cenários futuristas para conceber “Além do Horizonte” e, agora, na atual novela das seis, abusa de todos os clichês do fim da década de 70.

Outro diretor conhecido por caprichar na estética é Luiz Fernando Carvalho. A ousada e colorida “Meu Pedacinho de Chão” comprova o faro do diretor para sair do lugar-comum. “A gente queria mesmo fazer uma novela totalmente diferente do que já tinha sido visto. Onde a imagem também pudesse contar uma história paralela ao que estava sendo dito. A ideia era mexer com a imaginação das pessoas, de ser sonho, ser fábula. A novela brincou muito com isso”, analisa o diretor, que tem trabalhos do porte de “Renascer”, “Os Maias”, “Capitu” e “A Pedra do Reino” no currículo.

Foi Luiz Fernando, inclusive, que levou para a TV o trabalho do premiado cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho. Atualmente, ao lado do diretor José Luiz Villamarim, Carvalho assina a fotografia, iluminação e a movimentação de câmara de “O Rebu”. “Tivemos tempo para pensar e escolher o que melhor combinaria para a trama. Mas, desde o início, colocamos ouro e prata como cores predominantes na imagem, e a iluminação trabalhando com sombras e contrastes”, diz Walter.

Villamarim completa que muito do que se vê na TV foi inspirado em referências distintas, mas elegantes e conectadas com o clima de suspense do texto. “Assistimos a filmes de Luchino Visconti, Alfred Hitchcock, Martin Scorsese e Sofia Coppola. Também pescamos algumas coisas nos trabalhos de fotografia de Helmut Newton, Juergen Teller e Mario Testino”, enumera.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave