Prisão de ativistas se deu 'por vários fatores', diz Alckmin

"decisão judicial se acata, e o processo continua", disse o governador de São Paulo, em Campinas

iG Minas Gerais | Da Redação |

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu neste sábado (9) a ação da polícia e da Promotoria do Estado no caso dos manifestantes Fábio Harano e Rafael Lusvarghi, que foram libertados nesta semana após laudos indicarem que artefatos encontrados com eles não eram explosivos. "A prisão foi feita não apenas em razão de ter o material explosivo ou não. Ela foi feita por vários fatores", afirmou Alckmin, em Campinas (a 93 km de SP), sem detalhar as outras acusações. "Decisão judicial se acata, e o processo continua", disse o governador. "A pessoa está em liberdade, mas o processo continua. Não houve julgamento ainda desse caso." O juiz Marcelo Matias Pereira determinou a libertação de Harano e Lusvarghi na quinta-feira (7), após a Folha de S.Paulo ter divulgado que laudos periciais descartaram a presença de substâncias explosivas nos objetos encontrados com os ativistas. Eles haviam sido presos durante protesto contra a Copa. O magistrado já havia recusado um pedido de liberdade anterior, mas, desta vez, foi contrário ao parecer da Promotoria que defendia a manutenção das prisões mesmo após a divulgação do laudo. Pereira é o juiz que associou os "black blocs" à "esquerda caviar", termo originado na França para descrever pessoas que se dizem socialistas mas que usufruem dos benefícios do capitalismo. Para a polícia, os dois ativistas lideravam os "black blocs" --manifestantes que pregam a depredação do patrimônio público e privado. 'PROVA FRAGILIZADA' Na decisão, Pereira diz que "é forçoso concluir que a acusação restou de sobremaneira fragilizada, na medida que ficou demonstrado que os acusados não portavam qualquer artefato explosivo ou incendiário". Para o magistrado, as penas que podem ser impostas aos réus, "em caso de condenação, quando muito, ultrapassarão o patamar de quatro anos". Por isso, segundo ele, "não se justifica a custódia cautelar, até porque primários e de bons antecedentes". Hideki e Lusvarghi foram presos no dia 23 de junho durante um protesto na região da avenida Paulista, no centro de São Paulo. Após a decretação da prisão preventiva, Hideki foi encaminhado para a penitenciária de Tremembé (SP) e Lusvarghi para o 8º DP (Brás). O advogado de Hideki, Luiz Eduardo Greenhalgh, apresentou nesta semana um pedido de reconsideração da decisão anterior após a constatação de que não eram explosivos os objetos achados com Hideki e Lusvarghi.   Demora Os promotores enviarão novos quesitos ao IC (Instituto de Criminalística) e ao Gate (grupo antibombas da PM), responsáveis pelos laudos. Para eles, houve demora na apresentação dos materiais para análise --uma garrafa de Nescau coberto com papel e elástico e um frasco de fixador de tintas para tecidos com um fio de nylon semelhante a um pavio. Segundo a polícia declarou no dia da prisão, eram artefatos explosivos. Para os promotores, os materiais inflamáveis podem ter perdido o efeito devido a essa demora. Sobre a demora, o juiz Pereira disse: "se o tempo transcorrido entre a apreensão do material e a realização da prova pericial levou à evaporação de eventual conteúdo dos frascos é lógico que os peritos não terão como afirmar se os mesmos teriam odor de combustível ou outro combustível". Ainda segundo o magistrado, "o porte de objetos com odor característico de qualquer substância inflamável não é crime e não pode ser confundido com artefato combustível incendiário". Para ele, é desnecessária a realização de laudo complementar.  

Leia tudo sobre: protestossão paulogeraldo alckminpsdbprisõesdecisão