Corte egípcia dissolve braço político da Irmandade Muçulmana

Órgão considerou em sua decisão as múltiplas demandas judiciais que reivindicavam sua dissolução.

iG Minas Gerais | Da Redação |

Um tribunal do Egito dissolveu neste sábado (9) o Partido Liberdade e Justiça, braço político da já banida Irmandade Muçulmana --um golpe em meio à campanha para esmagar o mais antigo movimento islâmico do país. A Irmandade Muçulmana já havia sido banida por um tribunal egípcio, mas a decisão não mencionava a ala política da organização, deixando em aberto a possibilidade do partido participar das eleições parlamentares no final do ano. A corte presidida pelo magistrado Farid Nazif Tanagu considerou em sua decisão as múltiplas demandas judiciais que reivindicavam sua dissolução. A Irmandade foi excluída da participação formal na política eleitoral, forçando o movimento à clandestinidade. Além disso, o tribunal determinou que o partido seja dissolvido e que seus bens sejam confiscados pelo Estado. A decisão é final e não podem ser apresentados recursos, disse uma fonte judicial. O advogado do partido Mahmoud Abou al-Aynayn afirma que a decisão foi política e inconstitucional ao privar a defesa do direito de recorrer. A Irmandade Muçulmana, um dos movimentos políticos mais antigos, viu centenas de seus membros mortos e milhares presos desde que o então chefe do Exército Abdel Fattah al-Sisi derrubou o presidente eleito e membro da Irmandade Mohamed Mursi, há 13 meses, após semanas de protestos. Mursi, que governou o país durante um ano, e outras autoridades da Irmandade foram presos na esteira de sua derrubada. Centenas foram condenados à morte em decisões judiciais em massa que levantaram críticas de governos ocidentais e grupos de direitos humanos. Sisi, que ganhou a eleição presidencial de maio, prometeu durante sua campanha que a Irmandade deixaria de existir sob seu governo.  

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