Blatter critica Havelange por problemas do Brasil

Para o presidente da Fifa, o país precisa de programas de desenvolvimento para o futebol

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Dirigente também destacou equilíbrio no duelo entre as seleções, afirmando que não há mais 'zebras' no torneio
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Dirigente também destacou equilíbrio no duelo entre as seleções, afirmando que não há mais 'zebras' no torneio

O Brasil precisa investir no futebol de base para voltar a ser competitivo, depois do colapso da seleção na Copa do Mundo e diante da baixa qualidade do seu campeonato nacional. O alerta vem do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que, numa atitude rara, responsabilizou seu antecessor, João Havelange, por não ter dado atenção suficiente à base e à formação de jogadores brasileiros. "Foi um erro", declarou.

Neste sábado, Blatter promoveu sua tradicional festa em sua cidade natal, Ulrichen, no interior dos Alpes em um clima de "festa na roça". Música "caipira" tocada por um sanfoneiro, salsicha em prato de plástico, bancos de madeira e cerveja quente. Descontraído, ele conversou com um grupo de jornalistas, entre eles o Estado, em sua primeira entrevista depois da Copa do Mundo.

Questionado sobre a baixa qualidade do futebol brasileiro evidenciada na Copa, Blatter não mediu palavras e chegou a responsabilizar seu mentor na Fifa. "Acho que temos que colocar certa responsabilidade no senhor Havelange", disse. "Quando ele começou a dizer que o futebol deveria ser universal, com programas de desenvolvimento e me chamou, ele disse que algumas nações não precisavam e, em especial, não o Brasil", explicou.

"Isso foi um erro", insistiu Blatter. "Todos precisam de programas de desenvolvimento e do futebol de base. Isso é o que fizemos e dizemos em todo o mundo: por favor, desenvolvam o futebol, tenham um plano de base. O Brasil nunca teve um programa da Fifa porque era grande demais e eu acho que é ai que está o problema", disse.

Blatter assumiu a Fifa em 1998, depois de anos atuando como o braço direito de Havelange. Desde então, tem reverenciado seu antecessor, inclusive em casos de corrupção. Especialistas na Europa insistem que a Alemanha e outras seleções chegaram com força total no Brasil graças a um plano detalhado e de longo prazo para desenvolver o futebol de base e em todas as regiões.

Para Blatter, a Alemanha mereceu ganhar a Copa. "Ela jogou bem e foi a seleção certa para ganhar. Foi a única que foi ao Mundial para ganhar, e não com táticas para evitar perder", disse. Para ele, a derrota de 7 a 1 do Brasil para a Alemanha nas semifinais da Copa foi "um desastre", que "entra na história do futebol".

Em sua avaliação, Lionel Messi não deveria ter recebido o título de melhor jogador da Copa. Para ele, os destaques ficaram para Arjen Robben e James Rodriguez, além dos goleiros da Costa Rica, Keylor Navas, e México, Guillermo Ochoa. "Robben correu do primeiro ao último jogo", disse. "Ele corria, atacava e defendia. Talvez ele não seja o mais brilhante. Mas ele estaria em um lugar muito alto em minha lista de melhores da Copa", contou.

Blatter ainda confirmou que se lança candidato a uma nova eleição para a presidência da Fifa em 2015. "Recebi o apoio de muitas federações", disse. Mas foi além e alertou que aqueles que o criticam devem "correr riscos" e também se lançar no processo eleitoral, em uma mensagem contra Michel Platini, que até agora não decidiu o que fará.

"Eu assumo riscos de estar em uma eleição desde 1998", disse. "Eu assumo os meus riscos. Outros, se quiserem, que tentem também. Venham e lutem. Eu sou um lutador", completou.

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