É por essas que vale a pena ser jornalista

iG Minas Gerais |

A vida de jornalista, definitivamente, não é fácil! Assim como médicos e policiais, por exemplo, se é jornalista 24 horas por dia, 365 dias por ano, sem hora para “começar” nem “terminar” a jornada de trabalho. Isso sem falar nas centenas de sábados, domingos, feriados, aniversários de filhos, pais, mães, avós, mulheres, maridos, enfim, parentes; Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal, Ano Novo, quando precisamos deixar família e amigos para cumprir o dever de informar a população, ainda mais em um país onde a imensa maioria das pessoas não sabe nem os direitos que tem, quanto mais onde e como buscá-los. Mas, ao contrário de muitos colegas, que vivem dizendo ter escolhido a profissão errada e reclamam por ser jornalista, gosto muito do que faço e não sei se saberia fazer outra coisa, pelo menos com o mesmo prazer. Mas também há vantagens, como poder perguntar para famosos e poderosos o que os demais cidadãos gostariam – isso para a minoria de colegas corajosos e sabedores de seu papel na sociedade. O privilégio de estar perto dos principais fatos e ser testemunha ocular de acontecimentos históricos, além de ajudar a melhorar as coisas, também vale a pena na nossa atividade. Contudo, os momentos que vivi há exata uma semana, foram, nos 20 anos em que moro em Belo Horizonte e no quase mesmo período de jornalismo, um dos mais felizes e recompensadores. Até por isso peço licença a você para falar de algo pessoal nesta coluna, o que não é do meu feitio, pois jornalista não é notícia, embora muitos se achem. Foi justamente pela coluna que tais momentos foram possíveis e ficarão na minha memória para sempre. Logo após minhas primeiras colunas, que começaram a sair em janeiro deste ano, recebi e-mails de um ícone do jornalismo mineiro e brasileiro, me dando muito incentivo e dicas valiosíssimas para esta nova, desafiadora e muito importante empreitada profissional. Como faço com todas as mensagens que recebo, quando elas não extrapolam o limite do respeito pessoal, mesmo com discordâncias radicais de minhas opiniões, respondi à primeira enviada por esse grande colega, que continuou escrevendo, estabelecendo o que no sábado passado tive a certeza de ser uma grande amizade. Lá pelo terceiro e-mail trocado por nós, fui surpreendido com um convite para tomarmos “uma” cerveja e falarmos de esporte, de jornalismo, da vida. O encontro ficou marcado para depois da Copa, já que o trabalho na redação foi árduo durante o Mundial. E assim foi feito. Por quase sete horas conversamos sobre tudo, todos, esposas, filhos, netos; sem pudor, sem meias palavras, como se nos conhecêssemos há anos, há décadas. Escutei muito mais do que falei, e cada minuto valeu demais. Imagine um homem de 77 anos que esteve 50 em grandes veículos de comunicação, além da Cemig; tem inúmeros prêmios – muitos internacionais –, cobriu várias Copas, conhece quase cem países, escreveu livros, crônicas e viveu e ainda vive, mesmo aposentado, com notáveis sapiência e destreza o sacerdócio do jornalismo, sabendo tudo do mundo do esporte, mas não só dele. Porém, o que mais me impressionou nesse grande ser humano foi a generosidade, simplicidade, humildade em, sem me conhecer, me receber, com extrema amabilidade, em sua casa, onde passei alguns dos momentos inesquecíveis de minha vida. Muito obrigado, meu recente e grande amigo Hélio Fraga. Que Deus nos dê muita saúde para que novos encontros aconteçam. Até o próximo!

Surpreendente. Logo que cheguei à sua casa, ele me mostrou um escritório repleto de diplomas, troféus, prêmios e fotos, mas não para se gabar, e sim para me fazer ver que a profissão vale a pena quando exercida com retidão de caráter, algo difícil para quem está tão perto do poder. Na verdade, fui levado ao “Museu Hélio Fraga” para ganhar o último exemplar que lhe restava de um livro com suas crônicas – com dedicatória – e um cartão-postal de 1962, autografado por jogadores daquela Copa, entre eles um tal de Pelé.

Homenagem. Mais uma vez ressalto que relutei em escrever essa coluna, não pelo personagem principal, mas por achar que poderia soar pretensiosa por tratar da minha pessoa, mesmo como personagem secundário. Mas esse risco eu preciso e quero correr. Embora esteja muito bem de saúde, e torço para que ainda viva muitos anos, Hélio Fraga, que faz aniversário um dia antes de mim – outra dessas coincidências da vida –, é um homem de quase 80 anos, e eu queria lhe fazer essa homenagem em vida. Valeu Hélio!

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