Eduardo Jorge “demarca” PV

Candidato à Presidência ressaltou que sigla se diferencia por falar abertamente sobre temas tabus

iG Minas Gerais | Flávia Carneiro |

“Pautas órfãs”. 

Eduardo Jorge criticou adversários por não tratarem de temas como aborto e maconha
DENILTON DIAS / O TEMPO
“Pautas órfãs”. Eduardo Jorge criticou adversários por não tratarem de temas como aborto e maconha

O candidato do PV à Presidência da República, Eduardo Jorge, esteve nesta sexta em Belo Horizonte pela primeira vez desde o início da campanha eleitoral e se reuniu com ambientalistas e com a militância do partido. A candidatura dele marca uma recuperação do PV, depois de várias dissidências ocorridas desde 2011, com a saída do então principal nome do partido, Marina Silva.

Eduardo Jorge almoçou com correligionários e com o ambientalista Apolo Heringer, que teve sua candidatura ao governo de Minas preterida pelo PSB e já anunciou que vai se desfiliar do partido. Em entrevista à imprensa, o candidato ao Planalto fez questão de dissociar a imagem do partido da figura de Marina, além de afirmar que o PV defende abertamente temas tabus, que, segundo ele, são ignorados pelos concorrentes. Hoje candidata a vice na chapa do presidenciável socialista Eduardo Campos, Marina Silva saiu do PV para fundar seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, que teve o registro negado pela Justiça e acabou sendo abrigado pelo PSB. Assim como a ex-ministra, Eduardo Jorge já foi filiado ao PT, mas deixou a sigla em 2003. Ele criticou a postura da ex-correligionária em 2010, quando teve 20 milhões de votos e decidiu não se posicionar no segundo turno da disputa presidencial. “Quando os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) foram para o segundo turno, Marina deveria ter se posicionado, já que teve uma votação extraordinária em vários estados brasileiros, como em Minas Gerais. É como um time de futebol que não foi para a partida final, e os jogadores pegaram as chuteiras e foram embora”. Tabus. O candidato também fez questão de reforçar que seu programa de governo defende a descriminalização da maconha e do aborto, chamadas por ele de “pautas órfãs”. O verde criticou os adversários por “evitarem os temas polêmicos”. “Acredito que, pessoalmente, eles defendam as questões, mas só falam guiados pelos marqueteiros de campanha, que ficam calculando os índices das pesquisas eleitorais para definir as propostas”, disse. Sobre o aborto, o postulante admite que o assunto é delicado para uma campanha. “É cercado por dogmas e mexe com a fé das pessoas, que vivem em um país predominantemente cristão”. Apolo. Apesar da proximidade com o PV, o ambientalista Apolo Heringer ainda não se desfiliou do PSB – embora já tenha afirmado que não está mais ligado ao partido – e negou filiação ao PV. Ele esteve nesta sexta ao lado do candidato verde durante toda a agenda na capital mineira. “Estou convencido de que Eduardo Jorge é o melhor candidato à Presidência. Não vou me filiar ao PV, mas ele tem meu voto”, afirmou.

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