Aplicativo Secret vai parar na Justiça

App que se tornou sensação favoreceria bullying e difamação por garantir anonimato

iG Minas Gerais |

Polêmico. Lançado em maio no país, o Secret é uma rede social que se baseia no anonimato, mas muitos usuários têm sido vítimas de abusos
Reprodução internet
Polêmico. Lançado em maio no país, o Secret é uma rede social que se baseia no anonimato, mas muitos usuários têm sido vítimas de abusos

Rio de Janeiro. Vítima de calúnia e de disseminação de informações íntimas no aplicativo Secret, um grupo de dez brasileiros pretende entrar com uma ação judicial para que ele saia de serviço no país.

A iniciativa é liderada pelo consultor de marketing e DJ Bruno Henrique de Freitas Machado, 25, que teve uma foto em que aparecia nu divulgada no app. A imagem foi publicada junto com o seu nome e a identificação da festa que ele organiza em São Paulo e informações falsas de que ele teria participado de orgias com amigos e seria portador do vírus HIV.

Lançado no país em maio, o Secret se tornou popular entre os usuários brasileiros nas últimas semanas, desde que começou a adotar a possibilidade de conexão com o Facebook, e a catalogação dos “segredos” compartilhados no app.

“Percebi o predomínio de mensagens vexatórias sobre diversas pessoas. Na madrugada de terça para quarta, surgiram as mensagens sobre mim e meus amigos no serviço”, diz Bruno. O DJ entrou em contato com a equipe do aplicativo pedindo a retirada do conteúdo e a identificação dos criadores das mensagens. Menos de 12 horas depois, ele recebeu a confirmação de que o material havia sido removido, mas foi informado pela empresa que ela não revela dados dos seus usuários.

“A ideia é entrar com uma ação judicial para identificar os responsáveis e impedir que situações como essa se repitam”, afirma ele, que será o autor da ação coletiva de outras vítimas.

Com a proposta de ser uma rede social baseada no anonimato, o Secret permite o compartilhamento de mensagens de texto e imagens de forma anônima, que podem então ser comentadas ou curtidas por outros usuários. O Secret afirmou ter a segurança de seus usuários como a sua principal prioridade, indicando um artigo da empresa sobre o tema, em inglês. “Nossas equipes estão trabalhando para moderar posts no Brasil como fazemos em qualquer outro país em que o Secret está sendo usado”.

De acordo a advogada especializada em Direito Digital Gisele Arantes, o app atua ilegalmente no Brasil, já que fere o Marco Civil da Internet e o Código de Defesa do Consumidor ao disponibilizar os seus termos de uso apenas em inglês. Segundo a advogada, o mesmo pode ser dito do fato de o Secret manter os seus servidores no exterior e incentivar o anonimato dos seus usuários.

O site de cultura digital YouPI traz relatos de situações de bullying e difamação no app. É o caso do usuário Fernando Gouveia. Vítima de mensagens difamatórias, ele entrou em contato com o suporte do app e foi orientado a arrastar o post para a esquerda, marcá-lo como “flag” e registrar as suas justificativas e enviar uma mensagem para o endereço legal@secret.ly. Também foi informado de que o Secret mantém arquivos que associam os usuários às mensagens de sua autoria, e que, sob mandado judicial, pode vir a revelar a identidade de usuários à Justiça.

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