Emoji, o ‘alfabeto’ de ícones dos celulares, derrota as palavras

As pessoas enviam em média 250 a 350 tuítes de emoji por segundo

iG Minas Gerais | Jessica Bennett |

JAMES C. BEST, JR.
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Nova York, EUA. Começou há cerca de seis meses, com uma carinha aqui, outra ali, uma sequência de pequenos corações vermelhos ou uma série de beijos de boa noite. Particularmente, gostei da carinha com sorrisinho bobo. Parece que ela está dizendo “Opa!”, perfeita para um “Desculpe-me pelo atraso” ou “Xiii! Uma da tarde já, e eu acabei de acordar”.

De repente, me peguei substituindo palavras por caracteres. Então, um dia, passei dez minutos buscando a melhor maneira de dizer “Eu sou escritora, não sei matemática” em uma mensagem para meu contador. Para encontrar os ícones emoji corretos e colocá-los em sequência, gastei o mesmo tempo que levaria para escrever a frase 17 vezes. Era o caos do emoji; precisava pôr um fim nisso.

As carinhas felizes e os emoticons vêm dos anos 80, mas a história do emoji, aqueles pequenos ícones pictóricos do celular, começou no Japão, em meados da década de 1990, quando foi adicionado como característica especial de uma marca de pager popular entre os adolescentes. Mas foi só em 2008 que o alfabeto emoji foi uniformizado (a ideia era minimizar a disparidade entre plataformas), e adotado pela Apple em 2011.

Mas o que antes pertencia ao domínio geek e pré-adolescente acabou chegando às massas. Há agora um blog, o Emojanalysis, que pretende analisar os ícones mais utilizados, um site beta, o Emoj.li, a primeira rede social voltada exclusivamente ao emoji. E o Unicode Consortium, organização sem fins lucrativos dedicada à padronização do emoji entre plataformas, disse que gostaria de acrescentar 250 deles a produtos da Apple, da Microsoft e do Google.

“Um cara me convidou para sair usando [COPO DE VINHO]+ [rosto de menino e menina] + [?]. E ainda tivemos uma conversa de 45 minutos utilizando apenas emoji”, contou-me uma amiga, quando lhe perguntei se ela acreditava que havíamos transformado esses ícones em lugar-comum.

De acordo com o site Emojitracker, que monitora o Twitter para calcular o uso de emoji, as pessoas enviam em média 250 a 350 tuítes de emoji por segundo. Carinhas felizes e corações estão em todas as partes, mas também há sequências mais complicadas. Há aqueles que funcionam como pontuação [ROSTO ANIMADO], como ênfase [TRISTE], como substituto de algumas palavras (“mal posso esperar por [PALMEIRAS][SOL][NADAR]!”) ou para substituí-las totalmente.

Há emoji para quando não se sabe o que dizer, mas, mesmo assim, é preciso responder só para não ser rude [polegar para cima], e para quando você não quer responder nada mesmo. “Adoro emoji porque não gosto de conversar”, disse alguém. Há também sequências para expressar conceitos da vida real. “Criei uma sequência para ‘vasectomia’”, disse Caroline McCarthy, consultora de startups. Ela ficou assim: [TESOURA], [OVOS], [carinha gritando].

“Não acredito que possamos nos referir ao fenômeno como uma linguagem completa”, disse o linguista Ben Zimmer. “Mas aparentemente há possibilidades combinatórias fascinantes. Qualquer tipo de sistema simbólico, quando usado para comunicação, acaba desenvolvendo dialetos”.

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Traduções. Está na internet uma tradução emoji para “Drunk in Love”, da Beyoncé, e uma versão em emoji de “Moby Dick" integra o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA.

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Tendência. Emoji foi eleita a palavra mais “trendy” deste ano pelo Global Language Monitor, e adicionada ao Dicionário Oxford (curioso, porque ela é uma palavra que descreve o conceito de não utilizar palavras)

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