Pia Fraus atribui linguagem às suas vastas parcerias

Diretor desse trabalho, Wanderley Piras nota que há espaço para a imaginação hoje em dia

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |


Interação entre atores e bonecos é parte das estratégias do grupo
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Interação entre atores e bonecos é parte das estratégias do grupo

Beto Andreatta, fundador da companhia Pia Fraus, que estreia a peça “Círculo das Baleias” hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil, tem boas recordações de Belo Horizonte. Foi aqui que ele realizou em 1984 a parceria com o artista plástico Beto Lima. Esse encontro levaria depois à formação do grupo que retorna à capital mineira no ano em que celebra três décadas de existência.

“O Beto estava chegando de uma experiência no Nordeste que influenciou muito o seu trabalho de esculturas e eu tinha acabado de fazer uma grande viagem pelo Brasil e pela América do Sul. Então, quando desenhamos a ideia de produzir espetáculos com a linguagem de bonecos, eu estava no auge de uma paixão pela brasilidade. Eu fiquei completamente motivado em fazer uma leitura contemporânea da arte popular que encontrei e o Beto compartilhava esse mesmo desejo”, lembra Beto Andreatta.

De lá pra cá, o grupo sediado em São Paulo, desenvolveu uma trajetória que em vários momentos mantém ligações com o local onde as ideias desse projeto surgiram. É o caso, por exemplo, das participações de Chico Pelúcio, do Grupo Galpão, e de Ione de Medeiros, do Oficcina Multimédia, em montagens predecessoras. “Nós sempre trouxemos muitos diretores convidados que contribuíram para fortalecer essa linguagem que a Pia Fraus apresenta e a mantém como um ponto de coerência entre todos os trabalhos. A característica mais nítida, sem dúvida, é essa relação entre o uso do teatro de bonecos e a interpretação dos atores”, acrescenta ele.

Um dos fundadores da companhia, conhecida por abarcar repertório adulto e infantojuvenil utilizando os mesmos recursos, Andreatta observa que, ao conceber uma criação para o segundo público, se preocupa em evitar didatismos.

“Eu vejo ‘Círculo das Baleias’ como uma produção acessível a crianças e adultos. Penso que há alguns repertórios mais acessíveis de acordo com cada idade, mas não gosto da ideia de que tudo tem que estar mastigado só porque quem está na plateia são crianças. É possível levar a elas algumas histórias que tratam de valores de maneira lúdica e é nisso que acredito. Dessa forma, ela conseguirá absorver um conteúdo importante para a sua formação sem que ele seja apelativo ou comercial demais”, observa.

Diretor desse trabalho, Wanderley Piras nota que há espaço para a imaginação hoje em dia, embora as pessoas talvez duvidem que as crianças, acostumadas com tanta tecnologia, possam curtir trabalhos como o que o grupo apresenta aqui.

“Quando criamos um espetáculo, sempre pensamos na possibilidade de as crianças ficarem extasiadas com o que veem. O nosso desafio é fazer com que um personagem seja algo mais que um boneco. Para isso, contamos com uma frase, uma música capaz de permitir ao público juntar os pontos de uma história que faça sentido”, diz Piras.

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