Aventuras em águas salgadas no “Círculo das Baleias”

A companhia Pia Fraus completa 30 anos e traz a BH o espetáculo que estreia neste sábado (9) no CCBB

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Espetáculo “Círculo das Baleias” mescla técnicas do teatro de animação com a linguagem da dança
Divulgação
Espetáculo “Círculo das Baleias” mescla técnicas do teatro de animação com a linguagem da dança

A história de Jujuba, uma filhote de baleia jubarte que perde a mãe e empreende uma longa viagem em sua busca, Beto Andreatta diz ter concebido há dois anos. Mas foi neste ano que o roteiro da peça “Círculo das Baleias”, dirigida por Wanderley Piras, ganhou corpo, estreou no primeiro semestre em São Paulo e agora chega a Belo Horizonte, onde cumpre temporada até o dia 31, no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no Circuito Praça da Liberdade.  

Com boa recepção do público, a montagem, para ele, celebra a trajetória da companhia paulista Pia Fraus, que alcança três décadas em 2014. Embora o espetáculo não tenha sido criado com esse intuito, Beto acredita que é representativo porque sintetiza o vasto percurso do grupo, conhecido pela pesquisa centrada na mescla de linguagens, como o teatro de animação, a dança e o circo.

“Esse é um trabalho muito coerente com tudo que temos feito até hoje. Desde quando começamos a companhia, nós concebemos várias peças que não se resolvem apenas com a manipulação de objetos. Nos interessa a presença do ator ou do bailarino, que precisam criar formas de interagir com esses recursos sem esconder que eles fazem parte daquilo”, explica Beto Andreatta.

“Círculo das Baleias”, nesse sentido, é fiel a esse princípio e sinaliza também o retorno do grupo ao trabalho com cenários tipicamente brasileiros, como já aconteceu em outros projetos, como “Bichos do Brasil” (2001), um dos mais emblemáticos. O olhar para a cultura local, inclusive, Beto ressalta ser uma das marcas do projeto artístico que já levou para diversos países.

“Antes de criar a Pia Fraus eu passei um ano viajando pela América Latina, depois circulei bastante pela Europa, conhecendo diversos festivais, e é bom lembrar o quão importante eram essas viagens na década de 1990. Naquela época a informação não circulava tão facilmente como no presente. Foi a partir daquelas experiências que a gente quis mergulhar no imaginário do Brasil, fazendo a fusão de linguagens com a arte e a cultura popular daqui”, recorda o dramaturgo.

“Essa montagem é uma continuidade disso. Os personagens lidam com situações que são facilmente reconhecidas pelos brasileiros e talvez façam mais sentido para nós, no caso da relação com a Argentina tratada na peça, por exemplo, do que para o público estrangeiro”, completa ele.

Em cena, a referência ao país vizinho aparece representada pelo pinguim Gardel. Ao encontrar Jujuba, que sofre a perda da mãe, é ele quem a acompanha na aventura pelos mares do Sul. A empreitada começa quando a viagem do cardume para o arquipélago de Abrolhos, encontrado no Sul da Bahia, é interrompida.

“Se Jujuba é a heroína dessa história, Gardel é um coadjuvante de peso para que ela seja bem-sucedida. Apesar de ele ser argentino e ela ser uma jovem baleia que nasce em território brasileiro, não há rivalidade entre os dois. Eles desenvolvem uma parceria muito positiva e todo o espetáculo se baseia nessa cumplicidade”, afirma Beto.

Com pouco uso do texto como elemento narrativo, ali presente apenas em breves falas, são os gestos que cumprem a papel de criar toda a ação permeada pelo humor. Para atingir esse resultado, Piras diz que o elenco se utiliza de estratégias que aliam a manipulação dos bonecos com a interpretação.

“Nós focamos em algumas brincadeiras que se baseiam justamente na personalidade dessas personagens. O pinguim mesmo tem na forma como age muitas características do universo do palhaço. No palco, as atitudes deles encontram complementaridade com a expressão, os olhares, e a postura do corpo dos atores. Um depende do outro de maneira muito estreita”, diz Wanderley Piras.

Por essa razão Beto sublinha que em “Círculo das Baleias” o bom preparo físico dos atores é fundamental.

“Como os bonecos não são articulados, eles precisam dar conta de compensar essa limitação de movimentos. Isso acaba exigindo mais do corpo de cada um deles que ganha uma grande importância. Talvez por isso, ‘Círculo das Baleias’ esteja entre os trabalhos do nosso repertório que mais abre espaço para a dança”, pontua.

Wanderley completa que ritmos locais, como a música baiana e o tango argentino, surgem na trilha sonora, conferindo um tom picaresco às cenas vivenciadas pelas personagens. “Esse é mais um traço do humor que colocamos na peça e está presente até nesses momentos em que ganham grande atenção os movimentos corporais”, relata.

  • AGENDA
  • O quê. Estreia de “Círculo das Baleias”
  • Quando. Neste sábado, às15h e 17h; dom., às 11h e 16h, até 31/8
  • Onde. CCBB (praça da Liberdade)
  • Quanto. R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
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