Para fugir da realidade "Menino Cavalo" também já fantasiou ser menina

O garoto que imita o animal cavalgando pelas ruas do bairro Casa Branca, na região Leste da capital, concedeu entrevista ao canal de televisão Record

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Reprodução / R7
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O garoto órfão de 15 anos que ficou conhecido como "Menino Cavalo", por correr imitando o animal pelas ruas e pastos do bairro Casa Branca, na região Leste de Belo Horizonte, concedeu uma entrevista nesta sexta-feira (8) à Record. Durante a conversa, o adolescente disse viver dessa forma por gostar dos animais. "Todo mundo pensa que eu sou doido", disse.

Com tacos de madeira nas mãos para simular o barulho do cavalgar e um blusa amarrada na calça para imitar o rabo do cavalo, o garoto percorre as ruas da região e já ganhou fama. "Eu bebo água limpa. Gosto de cuidar dos cavalos e cachorros, eles me protegem. Imito a marcha dos cavalos desde pequeno", disse durante a entrevista.

Em outra passagem da reportagem, o menor chegou a dizer que na próxima encarnação gostaria de vir como um cavalo. "O meu sonho é ganhar uma barraca e um cavalo. Quero viver ao lado dos cavalos e cachorros", sonhou o adolescente.

Apesar de despertar a curiosidade de todos que o veem, a situação do garoto preocupa alguns moradores do bairro. Durante a entrevista, o menor revelou que perdeu os pais quando tinha 2 anos. Há três anos ele vive nas ruas da capital. "Eu fugi do Conselho Tutelar e voltei para as ruas. Já fugi de sete abrigos. Não aguento ficar preso", revelou o menino.

Em outra passagem o "Menino Cavalo" revela que também já fantasiou em ser uma menina. "Eu já gostei de ser chamado de Ana Luíza e me vestia de mulher. Eu não quero ir à um psicólogo. Eu gosto mesmo é de ficar com os bichos", finalizou o adolescente.

Mecanismo de defesa

Para a psicóloga e professora universitária Sylvia Flores, a fantasia do garoto pode ser uma forma de escapar da realidade. "É muito comum pessoas em situação de sofrimento escaparem da realidade. Essa escapada pode ser exatamente através de uma fantasia e não necessariamente no uso de drogas", explicou.

Segundo a especialista, por se tratar de um jovem que vive na rua, a fantasia com o cavalo passa a ser uma vantagem. "Ao invés de se ver na situação de abandonado, ele passa a ser um animal livre. É uma maneira de ressignificar o sofrimento dele", afirmou a psicóloga. Porém, para afirmar se isso se trata de um transtorno, apenas uma avaliação mais aprofundada poderia responder. "Mas, sem dúvida alguma, é um mecanismo de defesa", finalizou. 

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