A união do bem e do mal

iG Minas Gerais |

O bem e o mal nunca conviveram tão perto e misturados. A internet, sem dúvida, é a principal responsável por essa aproximação. E a política é o setor que, sem dúvida, mais permite a manipulação do bem e do mal, independentemente de qual seja cada um deles. Aliás, o bem e o mal, normalmente, são teses referentes a um mesmo fato, apenas com interpretações diferentes. Em outras palavras, existe um copo meio cheio e outro meio vazio para todos. A manipulação é democrática. As análises e os julgamentos dos candidatos e seus comportamentos que a cada minuto aparecem na internet são, geralmente, muito comprometidos. Esse comprometimento tem origens diversas. Há quem analisa da perspectiva de sua paixão ideológica. Há quem analisa de acordo com seu interesse financeiro – a vitória de um ou outro candidato pode ajudar muito ou prejudicar muito os interesses econômicos de grupos ou pessoas. Há quem analisa da perspectiva da vingança – geralmente foram derrotados por candidatos que continuam suas carreiras políticas e na busca dos votos. Há os que analisam apenas para apresentar os lados obscuros das candidaturas – para esses, todos os partidos e postulantes a qualquer cargo são sempre o mal, e é preciso tornar públicos todas as mazelas de os malfeitos. Há ainda quem analisa e forma extremamente criativa – são os que não temem inventar histórias, acrescentar informações inverídicas para bem ou para mal, de forma a potencializar ou minar uma ou outra candidatura. Assim, o eleitor tem que ter, cada vez mais, muito cuidado com suas pesquisas na internet. Ele acaba se vendo em uma situação muito inusitada, já que, além de ter um objeto de pesquisa específico, terá que pesquisar também a origem do conteúdo pesquisado. Sim, ele terá que conhecer também o autor dos textos e das imagens e, pelo menos, tentar investigar qual é a intenção dele. O eleitor tem que ter a consciência de que internet é terra de ninguém. Qualquer informação cabe nela, e qualquer pessoa pode acreditar ou não no que recebe. É um jogo no escuro. Quem tiver interesse pode fazer do mundo virtual um campo infinito de pesquisa. Por outro lado, quem preferir ficar na preguiça e se contentar com as primeiras informações que conseguir corre o risco de votar contra a vontade própria. Esse é um quadro real, e político nenhum se interessou em colocá-lo em debate antes da eleição. Não houve de lado algum nenhum movimento para regulamentação do uso da internet em campanha eleitoral. Resultado: nesta eleição, um dos principais investimentos de todos os candidatos são as redes sociais. Era muito evidente que a campanha na internet seria acirrada e até desleal, mas os políticos assim preferiram.

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